Só mesmo um cara que não gosta de fazer filmes às pressas – e odeia sair de sua casa em Nova Iorque – pra fazer uma entrevista durante 36 anos e isso virar um livro! “Conversamos em sets de filmagem e em salas de projeção e edição, em trailers-camarins e carros, no Madison Square Garden e nas calçadas de Manhattan, em Paris, Nova Orleans e Londres, e em suas sucessivas casas”, conta o autor Eric Lax. Assim nasceu Conversas com Woody Allen (Cosac Naify, 512 pp., R$ 65), compilado em ordem cronológica de 1971 a 2006. Todos esses anos de conversas fizeram do livro uma oportunidade de conhecer em detalhes um grande artista que começou no rádio, passou pela tradicional comédia stand up norteamericana e transformou-se em um cineasta admirado – e muitas vezes odiado ou criticado – em todo o mundo. Lax conta que suas respostas eram “sempre inteligentes e às vezes hilárias, embora eu nunca o tenha visto tentar ser engraçado.” Um livro com essa concepção diferenciada mereceu também um tratamento de marketing próprio: a Cosac criou displays “inteligentes e às vezes hilários” que estão dispostos em livrarias e pontos de venda alternativos – como a videolocadora 2001 –, dando destaque especial ao diretor. As peças são imagens de Woody Allen comentando o livro, como por exemplo: “36 anos conversando... e eu nem queria falar.” Mas falou.






