A imaginação e a realidade se mesclam para compor o livro Rimas da vida e da morte (Companhia das Letras, 120 pp., R$ 31 –Trad. Paulo Geiger), de Amós Oz. A narrativa fica entre a vida e as histórias fictícias inventadas pelo protagonista para as pessoas que ele vê em sua volta. Esta “mania de criar” tem início quando o romancista medianamente famoso se prepara para dar uma palestra e participar de um debate sobre sua obra num centro cultural de bairro, em Tel Aviv. Enquanto faz hora num café, passa a imaginar uma história para cada indivíduo que vê à sua volta. A atraente garçonete que o serve, por exemplo, vira ex-namorada do goleiro reserva do time de futebol Bnei Iehudá. Dois homens que conversam numa mesa próxima se convertem, na sua fantasia, em mafiosos discutindo a situação de um terceiro homem, um ricaço que agora definha na UTI de um hospital. A compulsão ficcional do escritor prossegue durante e após a palestra, resultando numa teia de histórias imaginárias que começam a se embaralhar com a trajetória do protagonista.






