And the turtle goes to... Chico Buarque e Caco Barcellos
PublishNews, 10/09/2004
O auditório Símon Bolívar do Memorial da América Latina recebeu ontem, em São Paulo, inúmeros editores, autores e profissionais do livro na festa de entrega do 46º Prêmio Jabuti. Durante o evento, foram entregues os quelônios maciços aos vencedores e ganhadores de menções honrosas das 17 categorias do prêmio, os quais já haviam sido divulgados anteriormente. Mas a surpresa estava guardada para o final, quando foram anunciados e entregues os Jabutis de Livro do Ano de Ficção e de Livro do Ano de Não-Ficção. Os laureados nestas categorias - que levam para casa um cheque de R$ 15 mil - são escolhidos entre os vencedores e ganhadores de menções honrosas das demais categorias por voto direto dos associados da CBL, SNEL, ANL e ABDL. Chico Buarque, com seu Budapeste (Companhia das Letras), ficou com o prêmio de Livro do Ano de Ficção, mas não compareceu ao evento para recolher sua tartaruga metálica. Já o Jabuti de Livro do Ano de Não-Ficção foi para as mãos do jornalista Caco Barcellos, por seu livro-reportagem Abusado (Record), que aborda o crime organizado e o tráfico nos morros cariocas. Ao receber o prêmio, Barcellos lembrou que a "reportagem é um gênero em extinção na nossa Imprensa, especialmente a reportagem artesanal, que enfoca pessoas menos favorecidas". Além de agradecer sua família, o jornalista fez questão de mencionar os próprios personagens e fontes de seu trabalho em seu discurso. "Quero compartilhar este prêmio com os moradores dos morros Santa Marta, Pavão, Pavãozinho e Vidigal por me confiarem suas histórias." Dois episódios tristes também foram lembrados por Barcellos: os assassinatos do jornalista Tim Lopes e do traficante Marcinho VP, ambos executados pelo Comando Vermelho. Barcellos disse que foi difícil continuar o trabalho depois da morte do colega. Quanto a Marcinho VP, o jornalista mencionou o bom relacionamento que tinha com ele. "Marcinho VP me fez acreditar que é possível uma relação de respeito mútuo entre traficante e repórter", declarou. "Mas a mesma organização que assassinou Tim Lopes decidiu matar o traficante que confiou no jornalista."