Mistérios do Oriente
PublishNews, 26/08/2004
Lendo traduções de poesia pré-islâmica em francês e inglês, o carioca Alberto Mussa deparou-se com um material tão belo e diferente que decidiu aprender o árabe clássico para poder ler os originais. Isso aconteceu em 1996. Em 1999, começou a traduzir a coleção dos poemas considerados mais belos pelos próprios beduínos, os Poemas Suspensos, como uma espécie de exercício. Assim, imerso em leituras árabes, acabou escrevendo, simultaneamente à tradução dos poemas, o romance O enigma de Qaf (Record, 272 pp. R$ 29,90). Desde o início o autor optou por linhas narrativas distintas no livro. Tinha a narrativa principal praticamente completa - uma novela com 28 pequenos capítulos, seguindo as 28 letras árabes - e vários rascunhos de histórias independentes. Assim, por não ser um grande fã de coletânea de contos, mas preferindo escrever contos, Mussa pensou numa forma diferente de narrativa que, sem ser romance, parecesse com um romance; sem parecer uma coletânea de contos, fosse uma coletânea de contos que pudessem ser lidos do início ao fim sob uma mesma atmosfera, dando a sensação de unidade narrativa. O enigma da obra é o próprio árabe: sua origem, suas tradições, seu nomadismo, seus haréns, seus algarismos, sua escrita e as múltiplas versões de uma história que por vezes soam improváveis, o que as torna ainda mais encantadoras.
[26/08/2004 00:00:00]