O homem por trás do prêmio
PublishNews, 11/08/2004
Não é preciso mais do que alguns minutos ao lado do economista português Eduardo Correia de Matos (foto) para entender grande parte do sucesso do Prêmio Portugal Telecom. Presidente da empresa lusitana no Brasil, Matos é capaz de discutir literatura com a mesma intimidade que conversa sobre telecomunicações, e é ele o grande mentor e patrono deste que, em sua segunda edição, já é um dos mais importantes prêmios literários brasileiros. Ontem, 10 de agosto, enquanto acompanhava a apuração dos 10 finalistas do prêmio, Matos conversava com desenvoltura com críticos literários e jornalistas sobre as obras concorrentes e sobre outras questões ligadas à literatura. De seus livros brasileiros prediletos aos autores portugueses de que mais gosta, da capacidade de comunicação do escritor Miguel Sousa Tavares ao sucesso do angolano José Eduardo Agualusa junto ao público feminino da Flip, o presidente da Portugal Telecom falava com autoridade sobre o que acontece na literatura contemporânea - e sua paixão se reflete na seriedade do Prêmio Portugal Telecom. É claro que só o gosto pela literatura não seria suficiente para justificar a criação de um prêmio que custa, somadas todas as despesas, 1 milhão de reais aos cofres da empresa lusitana. O fato de não existir no Brasil prêmios literários de grande magnitude e de maior divulgação junto ao público teve um papel fundamental na decisão de investimento do grupo português. "Escolhemos criar um prêmio literário justamente porque havia um espaço para isso. O segundo motivo é que, por sermos uma empresa portuguesa, fazia sentido apoiarmos algo que estivesse relacionado com a língua", afirma Matos para explicar a criação do Prêmio Portugal Telecom. Vale lembrar que a Portugal Telecom Brasil também é a patrocinadora da primeira edição do Prêmio Prefeito Amigo da Leitura, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, que premiará ainda este mês os dez municípios paulistas que mais se destacaram na área de literatura. Entre os dez livros finalistas do Prêmio Portugal Telecom, Eduardo Correia de Matos já leu quatro, todos eles obras de textos em prosa. Para a poesia, diz que não tem a "sensibilidade necessária". Mas, afinal, ninguém é perfeito.