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PublishNews, Redação, 20/04/2026
Encontro escrito à mão: cartas sobre cartas (independente), feito a quatro mãos por Bruna Maciel Borges e Fábio Lucas, parte de uma pergunta direta: o que se perde em meio à velocidade da comunicação digital? O livro propõe um retorno à escrita de cartas como gesto de atenção, escuta e presença, recuperando a dimensão íntima e direcionada da palavra no papel. Nascida também da experiência de uma oficina conduzida pelos autores, a obra convida o leitor a desacelerar e a revisitar a caligrafia como forma de vínculo — tanto na escrita quanto na leitura do outro. Os capítulos nasceram de perguntas como: Por que escrever cartas? Para quem escrever e como? A ideia era refletir tanto o percurso das oficinas quanto o diálogo real dos autores. Em abril haverá lançamentos em São Paulo e em Poços de Caldas. Leia para ficar por dentro!
PublishNews, Redação, 20/04/2026
Após lançamento em São Paulo, Coleção de sons de Cecília (Cepe Editora), escrito por Renata Penzani e ilustrado por Lumina Pirilampus, chega ao Rio de Janeiro nos próximos dias, quando haverá uma oficina gratuita e aberta a crianças e adultos de minilivros, além de sessão de autógrafos com as autoras. Conduzida pela jornalista e pesquisadora Anna Luiza Guimarães, criadora da A Fabulosa Mala dos Menores Livros do Mundo — uma biblioteca-ateliê itinerante, dedicada aos livros em miniatura e à formação de leitores —, a atividade propõe uma experiência prática com dobras, colagens e pequenos formatos, convidando crianças e também adultos a criar livros artesanais a partir de memórias sensoriais. “Sons fazem parte da minha escrita. Para escrever, costumo montar uma playlist temática de músicas que pensam junto comigo – tem de frutas, cores, poesia… e tem de Cecílias”, diz Renata ao PublishNews. Leia e programe-se!
PublishNews, Redação, 20/04/2026
Nesta nova incursão pelo gênero do ensaio, a aclamada escritora e atriz argentina Camila Sosa Villada está mais disposta do que nunca a mergulhar na arte do que não se diz. Por meio de fragmentos, A traição da minha língua (Fósforo, 88 pp, R$ 69,90, traduzido por Silvia Maximini Felix) nos conduz por um estreito fio de navalha que ora é composto de lembranças da infância e do relacionamento com os pais, ora se pavimenta com os fluidos e calores de uma sexualidade vibrante. Repleto de frases antológicas, o livro tem lampejos ficcionais e entrelaça temas como a iniciação sexual, o prazer da leitura, a liberdade, a vergonha, o trabalho sexual, a violência do amor, a identidade travesti, entre outros. E o faz em constante diálogo com Marguerite Duras e Jorge Luis Borges, escarafunchando a linguagem para chegar ao âmago da verdade, seja ela a afirmação de que não vivemos para ser felizes, mas para trabalhar, ou a de que o erotismo é “chegar perto da morte e não morrer”. A traição da minha língua é uma pequena joia composta de textos viscerais, que nos espreitam “como uma loba escondida bem perto de uma fogueira”. Ou, como também afirma Camila Sosa Villada em sua máxima potência, sempre despida de pudores e pronta para impressionar, é “uma daquelas flores que têm veneno, e não seiva”.
PublishNews, Redação, 20/04/2026
Tudo sobre Deus (Tusquets, 142 pp, R$ 52,90), de José Eduardo Agualusa, é uma história sobre a finitude, a memória, a culpa e a redenção; sobre o amor entre um pai e uma filha; sobre a arte de despedir-se e o milagre de permanecer. Um romance iluminado pela luz estonteante do deserto, onde, contaminada pela ficção, a realidade se torna fluída e pouco confiável. Um homem à beira da morte compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe, em Angola, junto a um enorme penhasco de onde se avista o Atlântico. Chama-se Leopoldo G. Borges: geólogo e poeta conhecido e respeitado em seu país, ele decide transformar os últimos meses de sua vida numa escavação — não de rochas ou minerais, mas da própria alma. Durante o retiro no silêncio mineral do Namibe, Leopoldo registra seus pensamentos em um diário, junto a poemas, reflexões, memórias, visões e presságios. No subsolo da capela em ruínas, descobre uma réplica preservada da igreja, onde o tempo se dissolve e a morte parece esperar, paciente. Entre esses dois mundos, o poeta procura a filha desaparecida, Gaia, e também a si mesmo.
PublishNews, Redação, 20/04/2026
Em Os Brabos (Nova Alexandria, 176 pp, R$ 79), de Angela Pappiani, duas formas de existir se confrontam em um Brasil profundo e urgente, revelando um dilema que ultrapassa a ficção: qual futuro escolhemos para a humanidade e para o planeta? Entre memórias, ancestralidade e resistência, a obra percorre a força dos povos indígenas e da negritude na busca por uma vida plena diante das marcas do aniquilamento e da desigualdade. Escritora, jornalista e ativista, a autora transforma sua vivência intensa com povos originários em literatura potente e sensível. Sem origem indígena ou negra, construiu, ao longo da vida, laços profundos que a tornaram parte dessa história — experiência refletida também na trajetória de suas filhas indígenas. Com conhecimento raro e olhar comprometido, Angela dá voz a uma das grandes encruzilhadas do nosso tempo.
PublishNews, Redação, 20/04/2026
"Mataram o borracheiro Salu", assim começa o mais novo romance de Maria Fernanda Maglio. No livro, vamos acompanhar a história de André, menino que ouve essa frase na escola e fica de repente com um vazio no peito, uma falta que lhe sobe à boca. Ele conhecia Salu, e conhecia bem, passava as tardes depois da escola na borracharia com a desculpa de aprender alguma coisa sobre carros e motores, mas o que ele desejava era apenas a companhia daquele homem. Ao saber do que se passara, André alimenta a sede por vingança, e vai atrás do suposto autor do crime. Lá é o tempo (Todavia, 165 pp, R$ 72,90) intercala a história dessa busca por justiça com a investigação feita por um escritor, muitos anos depois do crime, interessado em descobrir o que motivou a série de acontecimentos bizarros que se sucederam na pequena cidade onde um banho de sangue foi promovido – e sobre o qual ninguém ali ousa falar. Nas palavras de Joca Reiners Terron: "No instante em que leio este romance de Maria Fernanda Maglio, ela é a melhor escritora da literatura brasileira. Não, da literatura universal. Como todo bom romance, Lá é o tempo é uma bomba-relógio, construído com instrumentos de precisão e uma língua brasileira como há muito não se lia. Alta literatura, que planta uma angústia em nosso peito e não a retira".
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“O Brasil não tem povo, tem público.”
Escritor brasileiro (1881-1922)
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