Terceiro volume da trilogia de Laura Alcoba
PublishNews, Redação, 26/03/2026
Alcoba retorna ao universo autobiográfico que marca a sua obra para narrar o que viveu no exílio quando criança

Estamos nos anos 1980. Laura tem 12 anos e vive em Bagnolet, em um apartamento que divide com a mãe e a amiga Amalia. É uma menina como as outras que vai à escola, brinca com as amigas e sente as transformações de seu corpo, mas a normalidade de sua rotina é apenas aparente, pois Laura, nascida na Argentina, chegou à França há apenas dois anos, deixando em seu país natal o pai, mantido prisioneiro pela ditadura. Em A dança da aranha (Paris de Histórias, 128 pp, R$ 59,90, com tradução a quatro mãos de Natalia Bravo e Carolina Jacomé), Laura Alcoba retorna ao universo autobiográfico que marca a sua obra para narrar a experiência do exílio sob o olhar de uma criança. A autora, que deixou a Argentina ainda pequena após a perseguição política sofrida por sua família durante a ditadura militar, constrói um romance sensível sobre distância, resistência e amadurecimento. Entre os dilemas da adolescência e a consciência ainda difusa da violência política que marcou a sua família, a narradora descobre também o poder da imaginação e da linguagem, no qual a prática de escrever cartas torna-se um exercício de precisão e esperança para chegar ao seu destino. O título do livro funciona como uma metáfora delicada dessa espera, da teia invisível que liga pai e filha e da paciência necessária para sobreviver à distância.

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