Sobre perda, escrita e o poder transformador das histórias
PublishNews, Redação, 26/03/2026
Misturando ensaio e memórias, Javier Peña empreende uma busca pela vida de escritores, seus anseios, suas luzes e suas sombras

Um homem espera a morte em um quarto de hospital. Para passar o tempo e amenizar a angústia, ele e o filho relembram histórias. Não sobre o seu relacionamento marcado por ausências e desentendimentos, mas sobre livros ― uma paixão comum ― e escritores. É como se as conversas criassem os vínculos ausentes entre os dois, como uma última celebração da vida, um lembrete de que o ser humano precisa se narrar para compreender quem é através do limbo entre o mundo real e a imaginação. Em Tinta invisível (Instante, 256 pp, R$ 84,90, traduzido por Marina Waquil), misturando ensaio e memórias, o autor Javier Peña empreende uma busca pela vida desses escritores: seus anseios, suas luzes e suas sombras. Virginia Woolf, Nabokov, Susan Sontag, Tolstói, entre muitos outros, falam com ele por meio de suas histórias, e ele ouve. Quer incluí-los nessa conversa quase póstuma com seu pai porque percebe que a literatura também os liga a pessoas que escreveram suas histórias em outro momento e em outro lugar. E que às vezes nós, leitores, somos capazes de ir além da letra escrita e ler a tinta invisível que o escritor deixou na página. Quando conseguimos isso, vislumbramos a verdadeira beleza: talvez esses momentos de leitura prazerosa sejam suficientes para justificar uma vida.

[26/03/2026 07:29:49]