HarperCollins coloca outro pé no Brasil
PublishNews, Carlo Carrenho, 05/05/2014
Editora norte-americana adquire canadense Harlequin por R$ 920 milhões

Na última sexta-feira (2), a gigante midiática News Corp anunciou a aquisição da editora canadense Harlequin, especializada em ficção para mulheres, categoria chamada de “Romance” ou “Women’s fiction” na América do Norte. Assim que a transação for finalizada e aprovada junto a acionistas e organismos governamentais, a Harlequin será mais uma divisão da HarperCollins, uma das cinco maiores editoras dos EUA. O valor da aquisição foi de 455 milhões de dólares canadenses, equivalente a R$ 920 milhões.

De acordo com a Publishers Weekly, Brian Murray, CEO da HarperCollins, “declarou que a maior vantagem da aquisição da Harlequin é o grande impulso que a editora canadense dará à presença global da HC. De acordo com as empresas, cerca de 40% da receita da Harlequin vem de títulos publicados em outras línguas que não o inglês. Por causa disso, Murray explicou que usará a infraestrutura internacional da Harlequin para dar a seus autores a oportunidade de serem publicados em cerca de 30 idiomas”. Atualmente, menos de 1% dos títulos da HarperCollins não são publicados em inglês. E Murray deixou bem claro que quer mudar isto na seguinte declaração: "Em uma única aquisição, nós expandimos radicalmente nossa presença internacional".

Embora o comunicado da News Corp enfatize o crescimento da HarperCollins em mercados europeus e da região pacífico-asiática, a aquisição da Harlequin coloca a megaeditora americana em uma posição sui generis no Brasil. Como a Harlequin Brasil é uma joint venture criada em 2005 entre a canadense Harlequin e a brasileira Record, onde cada sócio possui 50% do capital, a HarperCollins agora coloca mais um pé no Brasil. Isto porque a editora da News Corp já havia herdado uma participação na Thomas Nelson Brasil, uma joint venture que nasceu em 2006 entre a Ediouro e a Thomas Nelson Publishers, e onde a participação estrangeira é de apenas 15%. Em outubro de 2011, a HarperCollins adquiriu a Thomas Nelson nos EUA, fincando seu primeiro pé em terras tupiniquins.

É interessante que o artigo da Publishers Weekly justamente compara as duas aquisicões recentes da HarperCollins. “A HC focará em investir na Harlequin e não em buscar ganhos de produtividade operacional. Apesar de a HC ter conseguido mais ganhos de produtividade do que esperava quando adquiriu a Thomas Nelson e a fundiu com a Zondervan para formar a divisão HarperCollins Christian Publishing, Brian Murray teria dito que a Harlequin ‘é uma empresa diferente’, e mais uma vez enfatizou o alcance internacional.” O CEO não deixou dúvidas: "Vamos focar o crescimento”, declarou.

Outra coisa que a HarperCollins terá de focar agora é sua estratégia para o mercado brasileiro. Com um pé em Bonsucesso e outro em São Cristóvão, ou seja, com joint ventures com dois dos maiores grupos editoriais brasileiros – a Record e a Ediouro –, a editora americana não poderá mais ignorar o nono maior mercado editorial do mundo. É hora de esperar para ver.

[05/05/2014 00:00:00]