Ruffato lança último volume da série Inferno provisório hoje
PublishNews, Redação, 28/10/2011
Sessão de autógrafos será na Livraria Cultura do Conjunto Nacional às 19h

Levou 15 anos para que o escritor Luiz Ruffato colocasse um ponto final em sua pentalogia Inferno provisório, em que se propôs uma reflexão literáriasobre a formação e evolução do proletariado brasileiro a partir da década de 1950 até o início do século. Primeiro vieram Mamma, son tanto felice, O mundo inimigo, Vista parcial da noite e O livro das impossibilidades. Hoje ele lança Domingos sem Deus (Record, 112 pp., R$ 32,90) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073. São Paulo/SP).

O livro é composto de histórias independentes que formam um mosaico. “Cada história está transpassada de outras histórias e a história do Brasil está presente como atmosfera, não como pano de fundo ou como substância definidora. Por isso, com o término da última história, que se passa em 2002, ponho fim a este capítulo da minha trajetória literária”, explica o escritor.

Desde O livro das impossibilidades, já havíamos nos encontrado com seus personagens longe de Cataguases ou de outras cidades próximas: muitas viagens fugindo daquele pedaço de Brasil estagnado no tempo e sem futuro. Agora nos são oferecidos alguns destinos pessoais, que parecem ser emblemáticos na diversidade da migração movida pela esperança de dias (talvez) melhores. Vidas que enfrentam a dura realidade de idas, empregos pobres, famílias formadas com dificuldade e voltas. São narrativas de solidão, amores, traições, filhos pouco desejados, trabalho sem fim e algumas conquistas. Por meio de flashbacks e lembranças, o leitor do Inferno provisório reencontra o Beco de Zé Pinto, o Rio Pomba e a trama de personagens do universo que Ruffato vem construindo ao longo do tempo.

Domingos sem Deus apresenta ainda a novidade de personagens já identificados com a classe média que, não sem assombro, interagem com o proletariado. “O objetivo dos meus personagens sempre foi subir na vida. Eles sempre quiseram comer bem, morar bem, consumir. Eles sempre quiseram ser inseridos no mundo capitalista. Por isso, não há, da minha parte, nenhuma glamurização da miséria. A pobreza é terrível, não tem nada de romântico. A luta foi e é pela melhoria das condições de vida”, diz Ruffato que, antes de tornar-se jornalista e escritor, trabalhou como pipoqueiro, atendente de botequim, balconista de armarinho, operário têxtil e torneiro-mecânico.
[28/10/2011 01:00:00]