O Dia das Bruxas está chegando e a escrita Fina lança dois livros que prometem encantar, ou assustar, os adolescentes: Sabor de sangue e chocolate (280 pp., R$ 29,50), de Helena Gomes, e o clássico Demônios (72 pp., R$ 29,80), de Aluísio Azevedo, apresentado por Flávio Carneiro e ilustrado por Kako.
Em Sabor de sangue e chocolate, a jornalista, professora universitária e autora de mais de 20 livros Helena Gomes cria uma trama de mistério, terror e sensualidade numa cidade do sul do país. Alex é um garoto especial. Sensível, inteligente e bonito, ele tem, aos 17 anos, um talento precoce para a gastronomia. Só quem não percebe isso é sua mãe, que nutre uma preferência descarada pelo filho mais novo, Gabriel. O motivo Alex nem sequer desconfia. Até que uma tentativa de assalto, um tiro de raspão e uma aula de biologia mudam o rumo de sua história. Alex se descobre um garoto especial de um jeito diferente e assustador.
Ele consegue perceber, numa fração de segundo, que a bala que sai do revólver de um bandido segue a rota que pode atingir seu irmão caçula e, assim, consegue desviá-lo do tiro. Esse olhar de lince ele não conhecia. Como também nunca havia experimentado a estranha sede de sangue que passa a consumi-lo, acompanhada por estranhas alucinações.
Para piorar, o adolescente adquire, após uma aula de genética, a desconfiança de que não é filho verdadeiro de seus pais. Só o motorista da família, Brandão, consegue se importar com as angústias do menino. E é ele quem o leva para umas férias de improviso em Nova Guanaja, uma pacata cidadezinha no Rio Grande do Sul, onde ficam hospedados na casa da melhor chocolateira da região. Um prato cheio para Alex, que adora cozinhar. Ainda mais porque, na mesma casa, vive Claudia, uma garota muito bonita e misteriosa.
O que ninguém poderia imaginar é que a tranquilidade de Nova Guanaja está com os dias contados. Um homem decapitado, uma jovem que tem todo o sangue extraído do corpo e uma série de outros crimes afugentam a paz da cidade. O que a população não sabe é que, por detrás dessa violência, há rituais secretos acontecendo na calada da noite, sombras que saem de dentro de um caldeirão de ferro e todo um universo oculto e assustador, que vai se revelando, pouco a pouco, para Alex.
O segundo título é o clássico Demônios, de Aluísio Azevedo, apresentado por Flávio Carneiro e ilustrado por Kako. Nele, um jovem escritor desperta de um sono profundo e percebe que há algo de errado na ordem natural das coisas. Estranhamente, o sol não raiou. O Rio de Janeiro está afogado em enorme escuridão e silêncio. Mesmo as estrelas estão começando a se apagar. A única vela que persiste acesa está a um fio de desaparecer. E a sua própria voz parece querer sumir. Este é o ponto de partida do conto de um dos principais romancistas brasileiros do século 19, publicado há 120 anos.
Diante daquela misteriosa noite que passa a dominar a cidade, o protagonista deste conto sai de seu quarto em busca de ajuda. Seus vizinhos, porém, estão todos mortos; logo, descobre que toda a população pereceu naquele estranho fenômeno, e só ele se manteve vivo. Em desespero, só pensa no destino de Laura, sua noiva, e se aventura pela escuridão para encontrá-la. A moça está em casa, aparentemente morta, mas o desespero do jovem escritor a devolve à vida. Inteiramente sozinhos ante o apocalipse, porém, o casal decide que sua única saída é procurar a morte, e partem rumo ao mar, ao qual pretendem se lançar juntos.
Na jornada dos dois protagonistas pela cidade em trevas, eles experimentam a mutação do mundo e de si próprios. Uma misteriosa metamorfose os acompanha. O chão vai virando uma espécie de lodo. O corpo de Laura, a delicada donzela – como são as clássicas personagens românticas – transmuta-se numa opulenta musculatura, com contornos de fera sensual – como num livro naturalista. Juntos, os dois protagonistas viajam pelas sensações animal, vegetal e mineral, em sua insólita jornada em busca da morte.





