Editoras exploram novos modelos para licenciar direitos
PublishNews, Roberta Campassi, 13/10/2011
Experiência com a Pasta do Professor foi apresentada em Frankfurt

Enquanto produtoras de uma enorme quantidade de conteúdo, as editoras podem fazer muito mais do que apenas vender direitos para a tradução de seus livros em outros países. Os diferentes modelos de licenças que as empresas podem usar para obter novas fontes de receita, com destaque para as licenças de produtos digitais, foram o assunto do debate "Lessons learned: licensing models for digital rights", que ocorreu na tarde desta quarta-feira, dia 12, na Feira de Frankfurt, e teve a participação da editora brasileira Amarylis Manole, que está à frente da Manole e representou a Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR) falando sobre o programa Pasta do Professor, organizado pela entidade.

Entre os modelos que foram discutidos no evento estão aqueles voltados para reprodução e republicação de conteúdo nas mais diversas plataformas e as licenças para a produção de aplicativos, e-books e outros meios digitais, como podcasts e sites - um exemplo é o Cookstr, site que reúne receitas de livros e remunera as editoras por isso.

"Eu achei que já sabia muito sobre o assunto, mas novos modelos de licenças estão surgindo o tempo todo, especialmente em relação ao conteúdo digital", afirmou Kristin Kliemann, vice-presidente da John Wiley, que participou do evento junto com Amarylis e Edward Colleran, diretor da divisão internacional da organização americana sem fins lucrativos Copyright Clearance Center (CCC). "Não se fazem mais licenciamentos de cinco anos, por exemplo, porque tudo está mudando muito rápido", disse a executiva.

Segundo Kristin, a Wiley, uma das maiores editoras de publicações técnicas e científicas do mundo, tem uma equipe de 44 pessoas para cuidar de até 4.300 licenças que são geradas por ano. "Nós licenciamos nosso conteúdo para os mercados onde não temos negócio", explicou a executiva.

A companhia licencia o conteúdo completo de alguns livros para desenvolvedores de aplicativos e empresas de e-learning, além de bibliotecas on-line. Nesses serviços, os usuários pagam para ler trechos de livros e periódicos da Wiley.

Colleran, do CCC, afirmou que o primeiro passo para as editoras que querem gerar novas fontes de receita com seu conteúdo é identificar o que pode ser licenciado, com qual modelo de remuneração e para quais plataformas. A CCC faz a ponte entre quem tem o conteúdo e quem quer licenciar, e atualmente gerencia 450 milhões de direitos que representam receitas de US$ 170 milhões anuais.

Amarylis, da Manole, apresentou a experiência do Brasil com a Pasta do Professor, programa da ABDR que licencia o uso de trechos de livros técnicos, acadêmicos e científicos. As universidades, por sua vez, adquirem os conteúdos desejados e os distribui para os alunos, impresso em papel ou em formato digital. A editora explicou aos ouvintes em Frankfurt que o projeto surgiu para combater a pirataria do xerox e da internet.

"É um enorme desafio convencer as editoras a licenciar seu conteúdo, porque elas receiam que a plataforma on-line não seja segura contra a pirataria. Levou dois anos pra conseguirmos colocar o projeto de pé", afirmou. "Mas hoje ele representa uma boa fonte de receitas para as casas editoriais, que recebem de 15% a 25% de royalties." A Manole é uma das que participam da campanha. "Se a editora puder trabalhar com uma plataforma segura, sugiro que faça a experiência", completou.
[13/10/2011 00:00:00]