Um diretor de cinema descobre que está com câncer e tem pouco tempo de vida. Ele estava planejando filme, sua maior produção até agora, mas percebe que o projeto jamais será concretizado. Pelo menos, não da maneira convencional: o diretor continua trabalhando na história de um vilarejo da Europa Central durante os últimos minutos do ano 999 d.C., pouco antes do apocalipse, mas constrói o filme em sua mente.
Essa é a história de Sinal e ruído (Conrad, 96 pp., R$ 49,90), considerada a obra-prima (depois da série Sandman) da dupla Neil Gaiman, roteirista, e Dave McKean, ilustrador. Publicado pela primeira em 1989, na revista inglesa The Face, a história se transformou bastante de lá para cá. Em 1992, foi revisada e publicada em graphic novel. Em 2000, foi adaptada para rádio e, agora, ela aparece em uma versão expandida, com novos desenhos e material extra.
No prefácio da primeira edição, Jonathan Carroll comentou como o livro se diferencia de outros quadrinhos. “Muito se tem escrito ultimamente sobre como os quadrinhos amadurecem, o que é um grave equívoco. Desde o início, o propósito dos quadrinhos sempre foi entreter. Sinal e ruído não entretém, e sim incomoda, provoca, assusta. Diz coisas que você não gostaria de saber, mas ao fazer isso, vira você do avesso.”





