A ausência que seremos (Companhia das Letras, 320 pp., R$ 46 – Trad. Sérgio Molina e Rubia Prates Goldoni), de Héctor Abad, é a “biografia” escrita pelo filho do médico sanitarista colombiano Héctor Abad Gómez (1921-1987), defensor de causas sociais e dos direitos humanos e executado pelos esquadrões da morte que golpearam seu país nos anos 80. O título do livro provém do primeiro verso do soneto “Epitáfio”, atribuído a Jorge Luis Borges, que Héctor Abad filho encontrou no bolso do pai, pouco depois de seu assassinato. Mas este livro é muito mais que uma biografia. Seu fascínio e graça resultam da própria dificuldade de escrevê-lo, que levou seu autor a arrastar a tarefa por quase vinte anos. Uma tarefa árdua porque o personagem central é uma pessoa extremamente complexa: um homem de fortes convicções, que conduziu sua batalha sanitarista com paixão missionária, mas que nunca abraçou nenhum dogmatismo, advogando acima de tudo pela liberdade de pensamento. [Ele é convidado da Flip e participa da mesa 17 “Em nome do pai” no dia 10, às 14h30.]






