Ame-o ou deixe-o
PublishNews, Redação, 22/06/2011
Em seu mais recente romance, valter hugo mãe constata que Portugal se tornou uma máquina especializada em produzir pessoas com vontade deixar o país.
José Saramago definiu como um “tsunami linguístico semântico e sintático” o estilo de prosa de valter hugo mãe, o mais prestigiado autor de sua geração em Portugal. Em A máquina de fazer espanhóis (Cosac Naify, 256 pp., R$ 39), seu romance mais recente e segundo livro de ficção mais vendido em 2010 em Portugal, valter hugo mãe narra a história de António Jorge da Silva, um barbeiro que acaba de completar 84 anos e, depois de perder a mulher, é entregue a um asilo. Sozinho num mundo cuja metafísica parece ter sido subtraída, Silva se vê obrigado a investigar novas formas de conduzir sua vida. Por meio de sua reflexão pessoal e também em torno de seu país, percebe que Portugal se transformou numa máquina geradora de sentimento de inferioridade, uma máquina especializada em produzir entre os nascidos no país a vontade de deixá-lo. A capa do livro foi ilustrada por Lourenço Mutarelli, que também assina o texto de apresentação. [valter hugo mãe estará na Flip no dia 8 de julho, às 12, na mesa 8, “Pontos de fuga”].
[22/06/2011 00:00:00]