Era uma vez um rei carrancudo. Um dia, alguém lançou uma moda impertinente: a de que era elegante terminar cada frase, por mais banal que fosse, com um ponto de interrogação. E eis que o pobre soberano mal se levantava, mal-humorado, e era logo interpelado por um mar de indagações: "Vossa majestade prefere sair da cama com um par de pantufas ou com dois chinelos de solas fofas e gorduchas?", "Chicória ou escarola?", "Assim por diante ou et cetera e tal?"... Essa enxurrada cotidiana e exaustiva de redundância era rebatida com uma única e mesma resposta, sempre à mão: "tanto-faz-como-tanto-fez". Mas eis que certo dia, a comitiva real, cansada das respostas atravessadas e lacônicas de seu soberano, resolveu conceder um prêmio àquele que fizesse do rei "um homem falante e um tantinho mais cortez. Essa é a história de Tanto-faz-como-tanto-fez (Moderna, 32 pp., R$ 29), de Maria Amália Camargo.






