Pintor, ilustrador, desenhista, ceramista, escultor, pesquisador, historiador e jornalista. Hector Julio Paride Bernabó, o Carybé, tem sua genialidade associada à Bahia, cuja essência soube sintetizar em desenhos, aquarelas, esculturas e grandes murais. Argentino de nascimento e baiano por opção, Carybé foi um dos mais produtivos e inquietos artistas que a Bahia abrigou. Agora sua trajetória é contada em As artes de Carybé (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Museu Afro Brasil / Instituto Carybé, 296 pp., R$ 180), com lançamento marcado para hoje (13), às 19 horas, no Museu Afro Brasil (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, Parque do Ibirapuera, Portão 10). Organizada por Emanoel Araújo, diretor-curador do Museu Afro Brasil, a obra bilíngüe – português e espanhol – apresenta reproduções de pinturas (veja duas imagens), desenhos e ilustrações e fotos de esculturas e murais, além de esboços que marcaram a arte brasileira do século XX. Os trabalhos apresentados no livro são entremeados por diversos textos de pessoas com quem conviveu, como Jorge Amado, Rubem Braga e José Cláudio da Silva. Há ainda uma poesia de Vinicius de Moraes em homenagem ao artista. Outro livro será lançado nesta noite: De Valentim a Valentim – a escultura brasileira – Século XVIII ao XX (Imprensa Oficial / Museu Afro Brasil, 448 pp., R$ 180), de Mayra Laudanna e Emanoel Araujo.
Carybé nasceu em Lanús, Argentina, em 1911, e morreu em Salvador, em 1997. “Seu trabalho é irresistível. São cores, traços e personagens que se alternam e tornam impossível a qualquer espectador ficar indiferente”, avalia Hubert Alquéres, presidente da Imprensa Oficial.
Entre os textos que abrem o livro está o de Nancy Bernabó, ex-mulher do artista, com quem viveu 51 anos. Ela conta que, recém-casados, aceitaram convite feito por Carlos Lacerda para que Carybé trabalhasse na Tribuna da Imprensa e foram morar no Rio de Janeiro. Porém, ao contrário do que imaginavam, a função era de diagramador, o que Carybé detestava, e não como desenhista. Logo voltaram para Buenos Aires, onde ele trabalhou no ateliê da família e, ao mesmo tempo, desenhava para o jornal Crítica.
O sonho do artista, morar na Bahia, foi realizado em 1950. Ali floresceu sua admiração pelo tema do Candomblé, o que resultou em diversas aquarelas. Além de suas obras, assinou a direção de arte do filme O Cangaceiro – também marcou presença como figurante – ilustrou Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez, Macunaíma, de Mário de Andrade, e livros de Jorge Amado e Rubem Braga. Foi também cenógrafo e figurinista de espetáculos de dança e teatro.
Outra característica de Carybé era o gosto pelas viagens: “Para se ter uma ideia dessas suas voltas pelo mundo, ele mantinha um mapa-múndi com indicações dos lugares percorridos pela América do Sul, América do Norte, Ásia, Europa e África. Da África existe um caderno de viagem de sua experiência com Pierre Verger no Benin, com anotações e curiosidades da sua impertinência bisbilhoteira num templo proibido e da revolta da população. É Verger quem o salva da fúrias dos fiéis”, lembra Emanoel Araújo, em texto no início do livro, que apresenta também o contexto artístico da Bahia de meados do século XX.
As artes de Carybé tem em seu final toda a cronologia de vida e obra do artista e suas exposições individuais e coletivas.





