Descobrindo o mundo de Clarice
, Redação, 17/12/2008

Uma Clarice Lispector “um pouco sem jeito” apresentava-se a seus leitores, em setembro de 1967, cerca de vinte dias após estrear como colunista do Jornal do Brasil. Esclarecia seu desconforto em escrever por encomenda, algo que fizera, na imprensa, anonimamente. “Assinando, porém, fico automaticamente mais pessoal. E sinto-me um pouco como se estivesse vendendo minha alma”, declarou. Ao longo dos seis anos seguintes, a escritora aproveitou aquele espaço das formas mais variadas, discutindo acontecimentos recentes, filosofando, tratando de acontecimentos do cotidiano, falando de sua família e de suas angústias, e até antecipando trechos de seus romances inéditos. Esse material foi reunido na coletânea de crônicas A descoberta do mundo (Rocco, 480 pp., R$ 58,50), em 1984, e ganha agora, 25 anos depois, uma nova edição, que marca o início do relançamento das obras completas da autora em novo projeto gráfico. Os textos revelam elementos da autora reflexiva que tanto se preocupou com a essência da alma humana.

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