No apartamento para onde se mudou depois de se separar da mulher e da filha, um homem recebe uma carta destinada ao antigo morador e não resiste ao impulso de abri-la. É uma carta de amor, escrita por uma mulher e assinada simplesmente com a inicial "A". A autora da carta repassa, inconformada, as últimas horas de seu relacionamento amoroso com o destinatário. Novas cartas chegam diariamente, sempre revisitando o dia da separação e acrescentando detalhes cada vez mais perversos aos acontecimentos. O homem que as recebe não apenas sucumbe ao desejo de lê-las como passa a viver em função disso. Este é o enredo de Flores azuis (Companhia das Letras, 168 pp., R$ 36), de Carola Saavedra, que conta as trajetórias da misteriosa “A” e do protagonista, unidos pelo extravio de correspondência, que talvez não seja tão acidental.






