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Voltar EVENTOS LITERáRIOS

Flup começa no Rio celebrando as ‘filhas’ de Ana Maria Gonçalves

23 de setembro de 2026
4 min de leitura
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16ª edição da festa literária ocupa o Centro do Rio até domingo (27), com Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Cidinha da Silva, Gilberto Gil, Jeferson Tenório, Kimberlé Crenshaw e convidados internacionais

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A Festa Literária das Periferias (Flup) inaugura nesta quarta-feira chuvosa, 23 de setembro, a sua 16ª edição com uma homenagem a Ana Maria Gonçalves e uma programação que reúne escritores, artistas, intelectuais e lideranças religiosas até domingo, dia 27, no Centro do Rio de Janeiro. Com o tema “As Filhas das Filhas das Filhas”, a festa ocupa a Praça Tiradentes, o Teatro Carlos Gomes e o Salão Guarani, com entrada gratuita, e toma como ponto de partida a obra e a trajetória da primeira mulher negra eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL).

Quer saber da programação completa da Flup? Visite o site oficial!

O romance de Ana Maria atravessa a concepção da edição. O palco principal foi batizado de Kehindé, nome da protagonista de Um defeito de cor, e a própria escritora participa da mesa “As filhas das filhas das filhas: Uma carta de Kehinde para Dona Antônia”, ao lado de Djamila Ribeiro, com mediação de Angélica Ferrarez, das 19h às 21h. O primeiro dia inclui ainda Batalha da Memória, a performance A babá quer passear, de Ana Flávia Cavalcanti, encontro de afoxés e Festival do Acarajé.

A ideia de transmissão entre gerações aparece também na presença das mulheres mais velhas e das tradições de matriz africana. Yalorixás e outras mulheres de axé fazem bênçãos antes das mesas ao longo da programação, aproximando os conhecimentos preservados nos terreiros daqueles produzidos em outros espaços de formação e pensamento. Entre as participantes estão Mãe Meninazinha de Oxum, Mãe Helena de Dan, Mãe Torodi e Mãe Marli de Xangô.

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Na quinta-feira (24), Conceição Evaristo e Cidinha da Silva participam da conversa “Nós e os livros: uma sobe, puxa a outra”. A programação reúne ainda a filósofa e escritora alemã Emilia Roig e a promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz, além das escritoras Christina Sharpe, dos Estados Unidos, e Dionne Brand, de Trinidad e Tobago radicada no Canadá, na mesa “A violência não pode ser a palavra final”.

Conceição, que completa 80 anos em novembro próximo, também terá sua trajetória celebrada durante a Flup. Um dos destaques nesse sentido é o lançamento de A gente combinamos de escrever, coletânea de contos inéditos que a Editora Malê lança em homenagem à autora. O evento de lançamento na na Festa será no dia 26.

Organizada por Eliana Alves Cruz e Estevão Ribeiro, o volume reúne dez autorias de diferentes gerações e regiões do país, provocadas a escrever textos de ficção inéditos inspirados pelo universo evaristiano. Da jovem escritora baiana Calila das Mercês aos companheiros históricos dos Cadernos negros, Cuti e Miriam Alves, passando por Itamar Vieira Junior, Jeferson Tenório, Marcelino Freire, Verenilde Pereira e Elisa Lucinda, o livro espelha a força do “mais relevante projeto literário em curso no país”, nas palavras do editor Vagner Amaro, que assina a orelha da publicação.

Entre os destaques na Flup ainda estão encontros com Elisa Lucinda, Fred Moten, Rosana Paulino, Nei Lopes, Jeferson Tenório, Ken Bugul e Linn da Quebrada. Também no sábado (26), Ana Maria Gonçalves e Jurema Werneck entrevistam a jurista norte-americana Kimberlé Crenshaw, responsável por formular o conceito de interseccionalidade no campo jurídico, e Gilberto Gil e Duquesa conversam, com mediação de Miriam Leitão, na mesa “Todas as revoluções começam com uma canção”.

A Flup abre ainda espaço para recuperar a obra e a trajetória do dramaturgo Ubirajara Fidalgo. No sábado, Jô Bilac, Carmen Luz, Ana Flávia Cavalcanti e Aldri Anunciação participam de uma conversa mediada por Sabrina Fidalgo. No domingo (27), Antônio Pitanga, Dom Filó e Helena Theodoro voltam ao legado do autor em outra mesa da programação.

A programação literária do último dia inclui ainda uma conversa entre a escritora senegalesa Ken Bugul e Bianca Santana e o encontro de Kehinde Andrews e Jeferson Tenório, que fecha as mesas da edição discutindo liberdade, memória e o que pode ser transmitido às próximas gerações.

Criada em 2012 pelo saudoso Écio Salles (1969-2019), a Flup informa ter reunido, ao longo de sua trajetória, cerca de 200 mil pessoas, 1.450 escritores e 150 poetas de 60 países, além de ter publicado 37 livros com autores e autoras de periferias. Em 2026, a festa integra também a primeira Semana de Arte do Rio.

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Monica Ramalho

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