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Chico na Vila

José Luiz Tahan relembra o dia em que jogou no Politeama

14/07/2010


Foi em 2005, num sábado. Depois de alguns adiamentos se confirmou a vinda do Politeama para uma pelada na Vila Belmiro. Os sessenta anos do Chico Buarque foram comemorados no gramado do estádio do Santos, num jogo do esquadrão carioca contra os veteranos da Vila.

E lá estava eu com uma mochila, no meio da pequena multidão, acenando para o Torero, que era meu sócio na livraria e um dos organizadores da festa e abrindo espaço com os cotovelos, numa clara inspiração ao estilo do Serginho Chulapa. Olhava sem pisca. O Torero tinha me dado alguma esperança, quem sabe pintava uma vaga?! Me espremi e quase em impedimento me misturei à delegação com o toque do então sócio, veja se rola uma chance, até aqui te ajudei.

Peguei uma camisa, calção e meias. Comprei chuteiras que me massacravam os pés (também... só usei naquele dia!). Achei o número 16 bem especial, houve algum craque com este número às costas? As chances aumentavam. O Zé Miguel Wisnik, o Carlinhos Vergueiro e o empresário do Chico, Vinícius França, conversavam. Um garoto balbuciava palavras ao Chico, que tentava se concentrar no jogo, que sempre foi levado a sério por ele.

Subi a escadaria do vestiário tentando guardar o momento para sempre, vi o meu nome no placar eletrônico, brinquei com a bola no aquecimento, tentando mostrar que conhecia ela, a bola.

Fui pro banco feliz da vida, vi o Politeama sofrer nas mãos e pés dos craques do passado santista.

Ao fim do primeiro tempo o Chico fala comigo: Você entra no lugar do Torero? O treinador me pergunta sem muito interesse em qual posição eu jogava, quando falei que era na frente ouvi um xingamento e um muxoxo, esse time só tem atacante!

Me benzi e corri resignado para a lateral esquerda. Peguei 3 vezes na bola e senti que a vida de jogador de campo é dura. Foram breves 20 minutos...

Perdemos de 5 a 3. O Chico bateu um pênalti aos 40 minutos da etapa final a contragosto - pairou uma dúvida sobre a falta, mas se o juiz interpretou vá lá.

Ao final do jogo houve a tradicional troca de camisas. Recusei a do Santos e emoldurei a do Politeama. Estou olhando para ela... é bonita que só!

José Luiz Tahan, Nesta coluna vou tentar pensar alto algumas questões que me encasquetam; espero que algumas delas sejam as vossas. Em outras oportunidades vou escrever um caderno de memórias vividas num balcão, com “causos” e passagens de quase duas décadas conversando com grandes figuras, os leitores.

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Fabrício Carpinejar Escritor brasileiro

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