O ser humano diante do tempo
PublishNews, Redação, 07/05/2024
Romance traz a história de uma pequena cidade e parte de seu povo que, por alguma razão, parecem estar parados no tempo

Quem somos nós diante do tempo? O que fazemos com o tempo que nos é dado? Os habitantes de Montequieto estão tão entretidos com seus problemas, com suas ganâncias, com suas frustrações, com suas curiosidades quanto à vida alheia, com seus sentimentos para com pessoas e coisas, com sua fé, que acabam, por vez, se esquecendo de viver. E que luta cada um de seus habitantes está fadado a travar consigo mesmo para se entender e aceitar suas fraquezas, para aceitar a imperfeição do próximo, para superar cada dificuldade que o tempo coloca diante deles, e, por fim, para que cada um acredite que a única saída possível é continuar vivendo. Enquanto chovia (Folhas da Relva, 567 pp, R$ 79,90) tem a bancária curiosa que está mais preocupada com a vida alheia do que com a própria vida. Tem o empresário bem casado que não aceita a mulher que engordou. Tem o religioso que de repente perde a fé. Tem o trabalhador que após perder tudo o que possuía com as chuvas, não vê alternativa à sua vida senão vingar-se. Tem o Padre, que sem abandonar a fé, recolhe-se em casa suspeita. Todos os personagens, com a simplicidade que lhes é característica, muitas vezes encontram soluções fáceis a situações complexas e na maioria das vezes não, pois estão presos aos problemas que muitas vezes eles mesmos provocam ou tentam, sem solução, solucionar. Como um Leopold Bloom e seu amigo Stephen Dedalus, de Ulisses, que tentam cumprir suas tarefas no dia a dia, este romance traz a história de uma pequena cidade e parte de seu povo que, por alguma razão, parecem estar parados no tempo.

[07/05/2024 07:00:00]