Indústria editorial encolhe em 2017, aponta Fipe
PublishNews, Redação, 02/05/2018
Em números gerais e já considerando a inflação no período, a queda foi de 4,76%. Governo gastou 13% a menos do que no ano anterior.

Luiz Antonio Torelli, presidente da CBL, Mariana Bueno e Leda Paulani, da FIPE, e Marcos Pereira, presidente do SNEL no evento de divulgação da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro
Luiz Antonio Torelli, presidente da CBL, Mariana Bueno e Leda Paulani, da FIPE, e Marcos Pereira, presidente do SNEL no evento de divulgação da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro

Em 2017, a indústria editorial encolheu no Brasil. Olhando para os números gerais, houve queda nominal (desconsiderando nessa conta a inflação no período) no faturamento de 1,95%. Considerando a variação do IPCA no período, o decréscimo real foi de 4,76%. Olhando apenas para o mercado privado (desconsiderando aqui as compras governamentais), no entanto, houve crescimento nominal de 2,03%. Considerando a inflação no período, o mercado se manteve praticamente estável, com discreta queda de 0,89%. Esses são alguns números apurados pela pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fipe a pedido da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e apresentada na manhã desta quarta-feira, em São Paulo.

O mau desempenho se deveu muito ao subsetor de Didáticos que apresentou queda, já considerando as vendas ao mercado e ao governo, de 7,79%. Levando em conta a inflação no período, as perdas desse segmento foram de 10,43%. Chama a atenção a queda do faturamento das editoras apurado com as vendas para governo. Se em 2016, essas compras totalizaram um montante de R$ 1.397.462.587,61, em 2017, elas caíram para 1.215.981.687,50. Um verdadeiro tombo de 12,99%. Vale observar que a FIPE considera o pagamento efetivo das compras do governo no ano e não os pedidos de compra ou a emissão de notas. Isso explica a discrepância entre os números da FIPE e os dados do FNDE, que apontam compras no valor de cerca R$ 1,47 bilhão em 2017 apenas nos diversos PNLDs.

Outro setor que merece atenção na hora de analisar a baixa performance do setor editorial é o de CTP. Em 2017, esse subsetor apresentou crescimento nominal de 1,51% (queda de 1,39% se considerada a inflação), mas a Fipe mostra que de 2015 para 2017, esse segmento teve o pior desempenho entre todos os outros. A queda acumulada nesse período foi de 17%. Segundo a professora Leda Paulani, coordenadora da pesquisa, essa queda “reflete muito a retração do número de alunos no ensino superior, antes o CTP ia melhor porque havia mais alunos entrando no ensino superior e depois da crise esse número caiu nos últimos anos”.

Os setores de Obras Gerais e de Religiosos tiveram resultados positivos. Apresentaram crescimento nominal no faturamento total (mercado + governo) de 6,83% (3,77% real) e 4,61% (1,61% real), respectivamente. 

No ano passado, foram editados 48.879 títulos e produzidos 393.284.611 exemplares. O faturamento do setor foi de R$ 5.167.057.536,71 graças à venda de 354.938.361 exemplares. Na comparação com o ano passado, o número de títulos editados apresentou queda de 5,67%; o volume de exemplares produzidos caiu 7,94% e o número de exemplares vendidos caiu 7,43%.

Subsetores e atividade

Uma importante novidade desta nova edição da pesquisa é a divisão do faturamento geral por atividade e não apenas por subsetor. Na divisão por subsetor, considerava-se a atividade das editoras e, a partir dela, classificava-se sua produção e faturamento, independente das categorias dos livros. Já na divisão por atividade, considera-se a categoria dos livros em si, independente da editora. Assim, os livros de CTP ou religiosos de uma editora de interesse geral passam a ser considerados em suas verdadeiras categorias, eliminando uma vulnerabilidade da pesquisa.

Na classificação por subsetor, CTP, Didáticos, Obras Gerais e Religiosos correspondem a 22%, 32%, 27% e 14%. Já na nova classificação por atividades, estes segmentos correspondem respectivamente a 26%, 32%, 29% e 14%,

Nacionais versus traduzidos

A pesquisa ainda destaca que a quantidade de exemplares produzidos de autores nacionais aumentou 3,65%, enquanto os livros traduzidos tiveram queda de 18,87%, levando em conta somente os novos números de ISBN.

Distribuição

As livrarias ainda são o principal canal de vendas de livros no Brasil. Em 2017, foram 118,09 milhões de exemplares vendidos por esse canal. Isso representa 53,11% do total comercializado no mercado privado. Os distribuidores responderam por 35,75 milhões de livros, o equivalente a 16,08% do mercado. O segmento porta-a-porta aparece na terceira posição, abocanhando 7,94% do mercado, com 17,66 milhões de livros vendidos.

A comercialização em igrejas, templos, supermercados e escolas, além de livros comprados por empresas, também tem relevância. Já em livrarias exclusivamente virtuais a participação foi de 2,91% do total, o que significa um crescimento de 17,77% em relação ao ano anterior. “Sobre as livrarias exclusivamente virtuais, o que vemos é que elas vêm se consolidando; ano passado essa categoria estava na quinta posição, este ano já subiu para a quarta”, lembrou Mariana Bueno, economista responsável pela pesquisa. Sobre a influência da Amazon nesse setor, Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL comenta. “O que ouvimos de livrarias que possuem loja física e e-commerce é que existe uma migração para o on-line e é claro que a chegada da Amazon trouxe mais competitividade e mais pessoas a aderirem à compra on-line”.

Sobre o resultado da pesquisa no geral, que este ano foi respondida por 202 editoras, das quais 187 delas já haviam participado no ano anterior, Marcos esperava números melhores, mas ainda se sente otimista. “No início desse ano, curiosamente os dados que nós temos são melhores, já temos pesquisas que medem um pedaço do varejo (Nielsen e GfK), então ainda precisamos entender como os números dessas pesquisas conversam entre si”. Luís Antonio Torelli completa: "Não temos o que comemorar, mas também não temos do que reclamar."

A apresentação resumida com os principais dados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro pode ser baixada aqui.

[02/05/2018 12:50:00]