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Prefeitura de BH cancela edição de 2017 de um dos mais tradicionais e importantes eventos de quadrinhos do Brasil
PublishNews, Silvio Alexandre, 19/07/2017
Para Silvio Alexandre, o FIQ é um dos grandes responsáveis pela atual situação do mercado brasileiro que passa por uma fase muito boa em termos de vendas e maturidade criatividade

Desde o começo do ano, o mercado das histórias em quadrinhos no Brasil passou a viver uma agitação preocupante. Alertados pelo professor e jornalista Paulo Ramos que, no calendário de eventos da Prefeitura de Belo Horizonte, não constava a realização da 10ª edição do Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), o sinal de alerta foi disparado. 

Segundo Ramos, “apesar de constar na programação das atividades culturais de 2017, o evento não foi incluído na relação de itens a serem custeados pelo município, divulgada em audiência pública, da Comissão de Orçamento e Finanças Públicas da Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (MG), realizada na capital mineira do dia 05 de abril. Não por coincidência, data do festival, um dos mais importantes do país, ainda não foi confirmada pela organização. O FIQ ocorre a cada dois anos, sempre no segundo semestre”.

 

Audiência pública realizada na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (MG), em que foi revelada a falta de previsão orçamentária para a realização do FIQ em 2017 | © Abraão Bruck / CMBH
Audiência pública realizada na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (MG), em que foi revelada a falta de previsão orçamentária para a realização do FIQ em 2017 | © Abraão Bruck / CMBH

No final de semana passado, a informação de cancelamento do FIQ para este ano foi confirmada pelo coordenador do evento, Afonso Andrade. Segundo ele, o FIQ foi reagendado para o primeiro semestre de 2018, entre maio e junho. A mudança de datas foi para não prejudicar planejamento do festival e manter a qualidade desejada, uma vez que haveria pouco tempo hábil até novembro, data inicialmente programado”.

Quando foi descoberto que o FIQ não estava incluído na verba de cultura do município para este ano, a reação por parte de editores, quadrinistas e leitores foi imediata. A principal ação foi uma série de questionamentos publicados no espaço de comentários de um post na página da Prefeitura de Belo Horizonte. As críticas foram enfáticas e extremamente fundamentadas, ressaltando o absurdo de não investir em um dos mais relevantes eventos de cultura do país. 

A Prefeitura de Belo Horizonte respondeu então em sua página no Facebook, que a realização do FIQ estava garantida: "No momento, todo o orçamento da Fundação Municipal de Cultura está sendo revisto para que seja executado [sic.], de forma eficiente, toda a programação cultural da cidade".

Realizado a cada dois anos, desde 1999, o FIQ é realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por intermédio da Fundação Municipal de Cultura, com recursos provenientes da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Minas Gerais. Sempre foi considerado uma aposta na diversidade, na qualidade e na excelência de um evento que se tornou referência nacional e internacional.

Com palestras, mesas redondas, oficinas, exposições, encontros e muitas atividades voltada para as escolas e o incentivo para a leitura, o evento sempre se pautou por fortalecer o mercado de quadrinhos, incentivando tanto novos autores como profissionais que já atuam há mais tempo, além de homenagear artistas consagrados.

Acredito que o FIQ é um dos grandes responsáveis pela atual situação do mercado brasileiro que passa por uma fase muito boa em termos de vendas e maturidade criatividade, até mesmo com uma categoria própria no Jabuti, o principal prêmio literário do país.

Os quadrinhos constituem uma via alternativa de construção da realidade, afirma a professora Gêisa Fernandes D’Oliveira, doutora em Comunicação pela USP. Eles possuem uma linguagem capaz de transitar entre a imagem e a palavra, entre o erudito e o popular, reunindo características do artesanal e da produção de massa.

A linguagem dos quadrinhos é apreciada por diversos grupos etários e sociais, como ou sem o uso de signos verbais. Esse poder de comunicação extrapola fronteiras e se revela capaz de gerar uma empatia ao mesmo tempo particular e universal, porque diz respeito a aspectos pormenorizados da identidade. Por isso, fico na torcida para que o FIQ realmente aconteça no ano que vem! Pois o festival não é apenas importante para artistas e editores, mas para toda construção de uma identidade cultural brasileira.

Silvio Alexandre é editor e gestor cultural com formação em Letras pela USP. Criou e dirigiu diversas coleções de literatura fantástica e de quadrinhos. É o criador do Fantasticon – Simpósio de Literatura Fantástica e é membro da Comissão Organizadora do Troféu HQMIX.

Tags: FIQ, Quadrinhos
[19/07/2017 09:28:00]
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