Brasileiro compra mais livro, mas crescimento do setor é discreto
PublishNews, Maria Fernanda Rodrigues, 17/08/2011
Pesquisa da Fipe encomendada pela CBL e SNEL atualiza os números de produção e venda do mercado editorial brasileiro

Estimado em R$ 4,2 bilhões, o mercado editorial nacional cresceu ligeiramente em 2010 (2,63%) mas tem outros, e melhores, motivos para comemorar: o brasileiro comprou mais livros no ano passado. O volume de vendas ao mercado cresceu 8,3%, e se incluirmos aí as vendas para o governo, esse crescimento fica em torno dos 13%. O preço do livro caiu 4,42%, seguindo uma tendência registrada desde 2004.

As livrarias ainda são os principais pontos de venda, mas quem avança mesmo para garantir uma melhor fatia deste mercado é o porta a porta, que teve o melhor índice de crescimento em 2010. Entre os segmentos de livros, destaque para os religiosos, que produziram mais (36%), imprimiram mais (39%) e, consequentemente, faturaram mais (23,9%). Isso se comparado com o ano anterior porque quem lidera mesmo o setor são os didáticos.

Esses e outros dados da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro, da qual participaram 114 editoras que representam 56% do universo em termos de faturamento, foram revelados pela Fipe, Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores (Snel) nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. As conclusões do Censo do Livro, realizado entre novembro de 2010 e abril de 2011 e referente ao ano de 2009, também foram apresentadas.

O censo mostrou que em 2009 existiam 750 editoras ativas no Brasil. Se levarmos em conta a  definição de “editora” da Unesco, segundo a qual são consideradas editoras aquelas que editam pelo menos 5 livros e imprimem pelo menos 5 mil exemplares ao ano, esse número cai para 498. Dessas, 231 (46,4%) faturam até R$ 1 milhão; 189 (38,4%) estão na faixa de R$ 1 milhão e R$ 10 milhões; 62 (12,4%) faturam entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões; e apenas 16 (3,2%) já passaram dos R$ 50 milhões ao ano.

Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial Brasileiro

O mercado editorial brasileiro teve um crescimento de 8,12% entre 2009 e 2010, mas se descontada a inflação do período, de 5,35%, temos um crescimento real de 2,63%. E mais: se as compras do governo ficarem de fora da conta, os 8,12% caem para 2,99%, representando um decréscimo real de 2,24% se descontarmos a inflação. Sem considerar as vendas para o governo, o mercado editorial brasileiro é estimado em R$ 3,2 bilhões. Com essas vendas, valor chega a R$ 4,2 bilhões.

Em 2010 foram produzidos mais livros em primeira edição – 18.712 contra os 17.183 de 2009 (variação de 8,9%), mas o número de exemplares impressos não seguiu o crescimento. Em 2009 foram impressos mais de 134 milhões de exemplares e em 2010, pouco mais de 136 milhões, um aumento de apenas 1,83%. No caso das reedições, esse crescimento foi muito maior: 33,19% (exemplares impressos) e 35,34% (títulos reeditados). Somando primeira edição e reedição, foram produzidos no Brasil 54.754 títulos em 2010 e 43.814 em 2009, um aumento de 24,9%. Foram impressos 492.579 milhões de exemplares no ano passado contra 401.390 milhões do ano anterior.

Os didáticos ainda lideram em número de títulos editados, com 14.637 lançamentos, seguidos das obras gerais (21.379), CTP (11.156) e religiosos (7.581). O crescimento mais expressivo tanto em número de títulos produzidos quanto de exemplares impressos foi o do segmento de livros religiosos – 36%.e 39,3%, respectivamente. Os didáticos continuam rendendo bem às editoras e o setor faturou, em 2010, R$ 2,1 bi (crescimento de 17%). Mais feliz foi, novamente, o segmento religioso. Embora menor e com resultados menos expressivos que o dos livros escolares, faturou 23,9% a mais que no ano anterior e fechou 2010 com R$ 494 milhões. Obras gerais registraram queda de 6,38%, totalizando R$ 1,16 bi. Já livros do segmento CTP fecharam o ano com R$ 739 milhões, 2,44% a mais que no ano anterior. Nesses valores estão incluídas as vendas para governo.

Canais de distribuição

As livrarias ainda são os lugares mais procurados na hora de comprar um livro. Lojas físicas e on-line têm 40,5% de participação (em 2009 tinham 42,4%). Distribuidores estão em segundo lugar, com 22,5%. Mas quem merece mesmo destaque é o segmento de venda porta a porta, que tinha 16,6% do mercado em 2009 e saltou para 21,6% em 2010. As vendas em supermercados, escolas, igrejas, bancas de jornal registraram ligeira queda em 2010.

Quando o assunto é faturamento, a ordem é a mesma, mas a participação muda um pouco. As livrarias são responsáveis por 62,7% do faturamento; as distribuidoras, por 18,35%; e o porta a porta, com 8%. Vale lembrar que apesar de a venda ser volumosa neste segmento, os livros têm um acabamento mais simples e são um pouco mais em conta.
[17/08/2011 00:00:00]

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Shani Boianjiu
Escritora Israelense

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