Livros à mancheia
É curiosa e rara a experiência de viver sem limites a ficção e a realidade, os livros e as pessoas, a narrativa e a vida. No último final de semana me vi diante de uma pequena platéia, ao lado de Ruy Castro e quatro jovens escritores (Rodrigo Lacerda, Marcelo Moutinho, Joca Reiners Terron e Pedro Sussekind), debatendo as relações do escritor com a cidade. O cenário, o Jockey Club carioca, tomado pela Primavera dos Livros, evento que une pequenos e médios editores e consegue dosar em medidas justas feira e festa. E tome discussão, e tome bairrismo, e tome evocação do passado da cidade, de sua singularidade e decadência. Era o fim de uma semana pesada em noites de autógrafos e, ao defender meu ponto de vista nada original (de que, na ficção, a cidade é melhor como personagem do que paisagem) e evocar um fantasma recorrente (o de Marques Rebêlo), percebi que toda teoria, como acontece muitas vezes, é vã. Discutia-se ali em que medida o Rio tomava conta da ficção mas, pelo menos para mim, a ficção é que tinha se misturado inexoravelmente com o que chamamos de realidade depois de percorrer tantas e distintas narrativas que grudam-se à cidade.
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