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no m¡nimo

Polêmica expressa

Segundo a diretora editorial Maria Emilia Bender, a Companhia das Letras se associou ao projeto "Amores Expressos" porque seis dos selecionados são autores da casa e porque ele dá à editora a oportunidade de "eventualmente abrir seu leque para um autor brasileiro novo, coisa que a gente está sempre buscando". No entanto, manifestações de insatisfação entre outros escritores da Companhia levam Maria Emilia a frisar que o projeto não é da editora, mas de Rodrigo Teixeira. "A plêiade, digamos, não foi eleita por nós", diz. Acrescenta que todos os autores, mesmo os que têm vínculo com a casa, toparam correr o risco de ter o livro rejeitado. "Isso nós deixamos bem claro aos organizadores, mesmo porque a lista é bem heterogênea no que diz respeito à experiência", afirma.

22 março 2007

Os melhores contos da semana passada

Depois dos melhores, dos menores, dos geracionais, dos transgressores, dos químicos, dos cruéis, dos escritos por mulheres, dos eróticos, dos menores eróticos, dos menores eróticos escritos por mulheres transgressoras, dos representantes da novíssima safra genial e dos que prenunciam a safra que virá depois da novíssima safra genial, pode-se imaginar que as editoras comecem a ficar sem assunto para novas coletâneas de contos. Antes que desanimem, o que poderia acarretar graves prejuízos à auto-estima literária nacional, Sérgio Rodrigues lista algumas modestas propostas - clique no título da matéria para lê-las.

8 junho 2006

Novos ares na ABL

Enfim, 110 anos depois de sua fundação por Machado de Assis - que a presidiu entre 1897 e 1908-, ares de modernidade, cada vez mais intensos, passam a soprar nos salões da Academia Brasileira de Letras. Estes novos ventos, que deram seus primeiros sinais na virada do século, têm, hoje, um símbolo secreto: o poeta e crítico literário Antonio Carlos Secchin, de 53 anos, o mais jovem "imortal" da ABL. Empossado em 2004, o caçula Secchin foi, por exemplo, um dos mais entusiasmados articuladores do movimento que, há um mês, e pela primeira vez, levou um cineasta de prestígio, Nelson Pereira dos Santos, à Academia. Nelson, que recebeu 27 dos 34 votos, ocupa agora a cadeira de número 7, que tem como patrono o poeta Castro Alves. Os primeiros sinais mais claros dos novos tempos surgiram em 2002, dois anos antes da chegada de Secchin à imortalidade. Naquele ano, para espanto geral, o escritor Paulo Coelho, um best seller internacional visto com suspeitas pela crítica literária e tomado mais como um fenômeno da cultura pop que da cultura literária, elegeu-se para a cadeira 21. "Começa a se desfazer a imagem de uma academia exclusivamente voltada para si mesma e para a imagem de seus veneráveis ancestrais", analisa Secchin. A simples presença do jovem Secchin entre os imortais aponta para isso. Só um homem assim pode, de fato, enfrentar os fortes preconceitos que ainda pesam sobre a imagem da Academia. Muitos ainda pensam, Secchin se lamenta, que a ABL sobrevive do apoio oficial. Não é verdade. Mas o fato é que as crescentes receitas da casa, provenientes do aluguel dos andares de seu prédio monumental no centro do Rio, começaram a permitir vôos cada vez mais independentes. A chave da modernidade está guardada aí mesmo, no cofre, e não em outro lugar.

9 abril 2006

Memórias do São Bento

O livro Pula, pula, macacada, que amanhã não tem mais nada conta a passagem de um grupo de amigos da primeira série primária ao terceiro ano do segundo grau pelo Colégio São Bento, um dos mais tradicionais da cidade do Rio de Janeiro. É a turma que se formou em 1993 e chegou aos 30 no ano passado. A edição que circula de mão em mão, distribuída pelos autores, amigos, mulheres ou namoradas, está bem impressa, capa dura com a camisa azul claro do uniforme do São Bento, é um livro tipo livro mesmo, mas é uma edição-teste. A rapaziada está à procura de editor. A tecnologia fez com que coisas como imprimir um milhar de livros e distribuir entre os amigos ficasse bem barata. Cada capítulo é assinado por um ou dois daquela turma e traz à tona uma história ou outra de suas passagens. É como que um blog impresso.

8 abril 2006

Lula não estudou por preguiça

Minutos antes do começo da gravação do Roda Viva no Palácio do Planalto, o jornalista Paulo Markun aproximou-se do presidente Lula para combinar um derradeiro detalhe. Em meio às palavras de encerramento, o âncora diria que estava entregando a Lula uma trilogia com as melhores entrevistas ocorridas desde a estréia do programa da TV Cultura, 18 anos atrás. Com expressão curiosa, Lula apanhou os livros. Antes que se sentisse logrado, Markun informou que só o primeiro volume fora concluído. Os outros, ainda em preparação, paravam na capa. As páginas estavam em branco. Lula devolveu o que estava pronto e folheou os desprovidos de palavras. "Isso é que é livro bom", comentou. "A gente nem precisa ler". O entrevistado parecia feliz. Os entrevistadores exibiam sorrisos constrangidos. Ninguém no estúdio improvisado aparentou surpresa. Todos conheciam a aversão de Lula à leitura - qualquer tipo de leitura. "Ler é pior que fazer exercício em esteira", confessou há tempos o presidente de um país atulhado de analfabetos, com um sistema educacional em frangalhos, incapaz de absorver multidões de crianças traídas.

12 janeiro 2006

A internet dos bilhões

O crescimento do comércio eletrônico (e-commerce) tem sido exponencial no Brasil, chegando a 100% ao ano em alguns setores, como educação e turismo, e a 30% na média do mercado. Segundo a empresa de pesquisas e-bit, o faturamento das lojas virtuais em 2002 foi de R$ 850 milhões, de R$ 1,2 bilhão em 2003, de R$ 1,7 bilhão em 2004 e a expectativa é de que 2005 feche em R$ 2,3 bilhões. E o presente, já muito bom, anuncia um futuro ainda mais promissor. Segundo estimativas da Forrester Reseach, haverá 30 milhões de compradores na Internet brasileira em 2010, e o faturamento do comércio eletrônico poderá atingir, então, cerca de R$ 13 bilhões. Um exemplo da pujança atual: em julho, 11 empresas participaram de uma promoção organizada pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico: Americanas, Extra, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Magazine Luiza, Marisa, Shoptime, Siciliano, Som Livre, Submarino e Tok&Stok faturaram R$ 25 milhões nessa LiquidaWeb - o que representou um crescimento de 77% sobre idêntica promoção realizada em 2004. O gasto médio por compra é de R$ 300 e os produtos mais procurados são os CDs, DVDs e vídeos, seguidos de perto pelos livros, revistas e jornais e, em menor volume, pelos produtos eletrônicos. Aos e-varejistas, um recado de Jakob Nielsen, "guru" da Internet e autor de Designing Web Usability, sobre a importância de se fazer um site agradável e lógico: "O e-consumidor é soberano, é quem decide se vai clicar, e onde, antes mesmo de fazer qualquer compra. Ainda que não saiba exatamente o que procura, é bom que o descubra no seu site."

9 dezembro 2005

Eu odeio noite de autógrafos

Sei lá exatamente o que leva alguém a escrever romance, biografia ou coletânea de crônicas, duvido que seja a noite de autógrafos. Não pense que é bom para o autor ficar ali sentado, exposto a olhares que o espiam de cima, rabiscando uma frase boba para cada cara estranha que aparece à sua frente. Quem seriam aquelas pessoas? De vez em quando um rosto amigo e o constrangimento mútuo. Desculpe te botar nessa roubada, parceiro. Tudo bem, cara, tudo bem! É ruim para todo mundo, menos para aquelas senhoras que vão só pelos salgadinhos, nem ligam se é vernissage ou lançamento de livro o que rola em torno do bufê. Não sei explicar exatamente por quê, mas 40 minutos de fila numa livraria para mim é tão desconfortável, claustrofóbico, quanto o mesmo tempo de viagem de elevador. Que Deus me perdoe, mas dependendo da minha falta de intimidade com o falecido, prefiro velórios a noites de autógrafos. Para ler o texto de Tutty na íntegra, clique no título desta nota.

29 outubro 2005

Harry Potter perde

O escritor mais pirateado do mundo é Zhā Liángyōng, que os chineses costumam conhecer pelo pseudônimo, Jīnyōng. Entre 1955 e 72, Jīnyōng escreveu para jornais, serializados, vários romances populares wǔxiá - numa tradução literal, cavalheirismo nas artes marciais. São como que romances de capa e espada à chinesa, muitos adaptados para o cinema ao longo dos anos. Jīnyōng tem um papel importante no nacionalismo: seu principal romance, O livro e a espada, conta uma história passada na Dinastia Manchu em que o imperador, na verdade, seria chinês nato, da etnia Han. Nos romances wǔxiá têm disso: sempre que há alguma dinastia estrangeira, caso dos Manchus (habitantes originais da Manchúria) e dos Mongóis, os autores arranjam um jeito de fazer deles chineses. Acaba de sair uma tradução inglesa de O livro e a espada pela Editora da Universidade de Oxford.

26 julho 2005

Por um bom vício

Ao se encerrar no domingo passado a XII Bienal Internacional do Livro, que em onze dias levou ao Riocentro 630 mil pessoas, me pergunto como se explica que um evento como esse tenha atraído tanta gente numa cidade que lê pouco – calcula-se que no Rio, a exemplo do que deve se passar em todo o país, quatro de dez pessoas leiam apenas um livro por ano. Outra surpresa é que o número de jovens entre 15 e 24 anos pulou esse ano de 30% para 45% do total de visitantes. Não se diz que jovem não gosta de pegar em livro? Estive lá nos últimos dois dias e, mais uma vez, fiquei impressionado com o evento, que a inconstância do tempo não conseguiu atrapalhar: nem o sol e o calor de sábado (só nesse dia, um recorde de 80 mil visitantes), nem a chuva de domingo, que transformou um dos estacionamentos em lamaçal. Nem a distância: apesar do nome, o Riocentro fica a quase 40 quilômetros do centro da cidade. Muita gente torce o nariz para eventos culturais como a Bienal. Alguns alegam que as pessoas vão lá para fazer programa e não para comprar. Os números desmentem. Esse ano foram vendidos 2,3 milhões de exemplares (contra 1,6 milhão de dois anos atrás), num total de R$ 41,5 milhões, contra R$ 36 milhões de 2003.

24 maio 2005

A farra dos escritores

Que me perdoem os puristas, mas um dos objetos de consumo de qualquer freqüentador da Bienal do Livro 2005, que terminou neste domingo, 22, no Riocentro, era a super-bolsa que vinha de brinde no estande Jorge Zahar / Cia das Letras para quem gastasse mais de R$ 120,00 em livros. Alcançar a quantia não é tarefa difícil, considerando que o preço dos livros está onde sempre esteve – no alto. O que não seria um problema, se à paixão pelos livros correspondesse o poder aquisitivo para comprá-los. A farra da Bienal teve mais a ver com belas bolsas e uma farta agenda de debates que incluía o que já se pode chamar de "celebridade das letras", do que com qualidade literária. Não que os livros fossem piores do que as bolsas. Não eram. Mas apenas estão correndo o risco de se tornar secundários. A princípio, o estereótipo do escritor é o sujeito que prefere os livros ao convivío humano, e se sente mais à vontade diante de uma tela de computador do que de uma platéia. Cada vez mais, o que se vê são escritores desenvoltos diante de microfones, esmiuçando ao público detalhes do misterioso processo de criação. Foi assim, por exemplo, no "Imaginário do autor", espaço inaugurado este ano para debates entre escritores, abertos para perguntas do público. De certa forma, o lugar foi a constatação de que o sucesso dos dois primeiros anos da Festa Literária de Paraty influenciou a agenda da Bienal.

23 maio 2005