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A república do conto

18 de agosto de 2004
2 min de leitura

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Em meados da década de 70, o escritor Roberto Drummond fez uma brincadeira sobre a vocação literária de seus conterrâneos. Disse que, se fossem empilhados todos os contistas mineiros que havia, se formaria uma torre humana que chegaria até a Lua. A galhofa se aplica com perfeição aos dias de hoje, se consideradas duas diferenças: os contistas não são apenas de Minas Gerais e, todos empilhados, alcançariam distância ainda maior (Júpiter, digamos). O mercado literário brasileiro vive um surto de produção de contos sem precedentes. O momento é comparável apenas aos anos 70 da piada de Drummond, quando Rubem Fonseca, Sérgio Sant’Anna, Luiz Vilela e outros escreveram alguns dos melhores contos já produzidos por aqui. Agora, a bolha é ainda maior. Uma olhada rápida nas livrarias revela a atual vocação do mercado. Entre os lançamentos dos últimos meses estão contos de Lygia Fagundes Telles, Autran Dourado, Edgard Telles Ribeiro e do próprio Sérgio Sant’Anna. Coletâneas de textos de autores consagrados, como Machado de Assis, Rubem Braga e Orígenes Lessa, ganham novas edições sem dar sinais de exaustão. A Companhia das Letras colocou na praça uma coleção que trará contos de F. Scott Fitzgerald, Tennessee Williams e Primo Levi. A Cosac & Naify acaba de editar os dois primeiros títulos de uma coleção que traz apenas um conto a cada livreto. E há incontáveis trabalhos de jovens autores publicados por pequenas editoras.

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