A dura guerra pela imortalidade
A imortalidade é uma xícara de chá preto com bolinhos e uma roupa de gala que parece a dos Beatles na capa de Sargeant Peppers. Também é um jeton de R$ 400 por sessão, R$ 1.000 por mês de verba de representação, duas vagas de automóvel no centro do Rio de Janeiro, um excelente plano de saúde, mausoléu, prestígio e o privilégio de conviver o resto da vida com boa parte da elite cultural brasileira. Para alcançar essas vantagens não tão pequenas e o grande prestígio, vale quase tudo. Fofocar, trair, enganar, mentir e rastejar são verbos que encabeçam qualquer dicionário de candidato à Academia Brasileira de Letras desde a inauguração da casa. O próximo capítulo dessa novela acontecerá no dia 18 de dezembro e tem como protagonistas o escritor Fernando Morais, 57 anos, mineiro, autor de A ilha, Chatô, o imperador do Brasil, Olga e outros campeões de vendas, e o senador Marco Maciel, 63 anos, pernambucano, vice-presidente da República no governo Fernando Henrique, um dos caciques do PFL e autor, entre quase 50 obras pouco lidas, de O mar de 200 milhas e o desenvolvimento nacional. Os dois disputam a cadeira 39, ocupada até agosto de 2003 pelo jornalista e empresário Roberto Marinho. Morais, também bicho político escolado por eleições para deputado e vice-governador pelo PMDB em São Paulo, admite: “Essa vai ser a eleição mais difícil da minha vida”. Maciel concorda: “A Academia tem sua política própria, seus grupos, sua etiqueta. Eleger-se ali é muito difícil”.
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