Inédito de Michel Foucault no Brasil
Em plena ditadura militar no Brasil, Foucault analisava os micropoderes e a vigilância sobre os corpos e, em meio à repressão às manifestações estudantis e à prisão de estudantes e professores
Inédito no Brasil, Genealogias da sexualidade (Ubu, 304 pp, R$ 99 — Tradução: Ernani Chaves) reúne os estudos de Michel Foucault na fase final de seu alentado projeto sobre a história da sexualidade: as conferências sobre a noção de repressão, o curso sobre a “genealogia do saber moderno sobre a sexualidade”, que ministrou na Universidade de São Paulo (USP), em 1975, e a primeira versão do início do livro A vontade de saber. Os textos retomam algumas das questões centrais do pensamento do filósofo acerca das ideias sobre a repressão e a luta pela libertação da sexualidade, a constante pressão para o compartilhamento de desejos sexuais e o reconhecimento da sexualidade como elemento essencial da identidade. Entre eles, destaca-se o curso na USP, que deve ser lido com o pano de fundo da conjuntura política local. Em plena ditadura militar no Brasil, Foucault analisava os micropoderes e a vigilância sobre os corpos e, em meio à repressão às manifestações estudantis e à prisão de estudantes e professores, se solidarizou com o movimento e interrompeu o curso após ministrar apenas parte das aulas previstas – poucos dias antes do assassinato do jornalista Vladimir Herzog pela polícia.
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