‘Nem tristeza demais nem alegria de mentira’ inaugura coleção da Cambucá
Com texto de Flavia Bendelá e ilustrações de Bela Pinheiro, livro é o primeiro da Coleção Dobra da Emoção e terá lançamento em outubro, no Rio de Janeiro
Alegria anda preocupada. Por algum motivo, já não consegue tocar os corações como antes. Tristeza, por sua vez, está exausta de tanto ser requisitada. É do encontro entre as duas, em um mundo no qual a felicidade muitas vezes parece obrigação e sentimentos incômodos tendem a ser afastados, que nasce Nem tristeza demais nem alegria de mentira (Editora Cambucá), estreia de Flavia Bendelá na literatura para a infância, com ilustrações de Bela Pinheiro.
Primeiro título da Coleção Dobra da Emoção, o livro será lançado no dia 18 de outubro, às 16h, na Livraria da Travessa do Leblon (Av. Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205A — Rio de Janeiro/RJ), com bate-papo entre a autora e a ilustradora, mediado por Rosane Nunes, editora da Cambucá.
Na história, Alegria e Tristeza partem juntas em uma viagem pelos quatro cantos do mundo para descobrir o que está acontecendo com elas. Pelo caminho, encontram a Razão, que chega lançando seus “choques de realidade” e acrescenta uma nova perspectiva à aventura. Aos poucos, as três percebem que não há sentimento que precise ser eliminado: emoções diferentes têm funções diferentes, e pensar e sentir podem caminhar juntos.
A narrativa parte de uma pergunta que atravessa o livro: o que acontece quando não acolhemos aquilo que sentimos? Em vez de oferecer respostas prontas ou dividir as emoções entre boas e ruins, Flavia propõe que as crianças reconheçam o que sentem e procurem compreender o que cada emoção pode revelar.

“O livro nasce do amor à verdade que cada um carrega dentro de si. As emoções revelam o que nos afeta e como. Mas aprendemos socialmente a atribuir valores a elas e, por isso, evitamos ou negamos algumas em vez de elaborar o que está realmente acontecendo. Não quero ensinar à criança o que sentir, mas convidá-la a escutar o que cada emoção tem a dizer e refletir sobre como lidar melhor com isso”, explica a autora, em nota.
Essa conversa não fica restrita às personagens. Ao longo da narrativa, perguntas dirigidas aos pequenos leitores criam pausas para que relacionem as situações vividas por Alegria, Tristeza e Razão às próprias experiências. A proposta é fazer do livro também um ponto de partida para conversas entre crianças e adultos, seja em família, na escola ou em outros espaços de leitura.
Dobrar para desdobrar
A ideia da dobra, que nomeia a coleção, também orienta o projeto visual do livro. Inspirada no origami, Bela transforma o gesto de dobrar e desdobrar o papel em uma imagem dos movimentos internos provocados pelas emoções. A referência aparece inclusive na capa, que traz o Abre-Fecha, tradicional brinquedo de papel.
“Foi assim que se desdobrou a estética da obra: a partir do resgate de um tempo sem tantas telas ou notificações”, conta Bela, no release para a imprensa. “Todo o conceito do origami trilha um caminho contemplativo de encontro espiritual com as próprias emoções. Em homenagem a essa inspiração, o brinquedo de papel Abre-Fecha tem destaque na capa do livro.”
Com Nem tristeza demais nem alegria de mentira, a Coleção Dobra da Emoção começa, assim, propondo uma aproximação entre literatura, imaginação e educação emocional sem transformar a história em manual. Alegria, Tristeza e Razão não aparecem para ensinar às crianças o que devem sentir, mas para colocar sentimentos em movimento e abrir espaço justamente para perguntas.
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