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João Silvério Trevisan discute ‘Meu irmão, eu mesmo’ no Clube de Leitura CCBB

03 de setembro de 2026
3 min de leitura
João Silvério Trevisan e livro de 2023 que será debatido © Divulgação
João Silvério Trevisan e livro de 2023 que será debatido © Divulgação

Às vésperas de lançar livro na Bienal de São Paulo, escritor paulista participa de encontro no Rio sobre obra autobiográfica escolhida por meio de voto online pelo público

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João Silvério Trevisan vai conversar conversar sobre Meu irmão, eu mesmo (Alfaguara, 2023) na próxima quarta-feira, 9 de setembro, às 17h30, do Clube de Leitura CCBB (Rua Primeiro de Março, 66, no Centro — Rio de Janeiro/RJ). Aos 82 anos e às vésperas de lançar O que não se pode apagar (Planeta), na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o escritor revisita ums obra autobiográfica em que transforma a relação com o irmão em uma reflexão sobre amor, perda, HIV, sobrevivência e memória. Ingressos grauitos disponíveis na bilheteria do CCBB ou pelo site do CCBB a partir das 9h do dia do encontro.

Em Meu irmão, eu mesmo, Trevisan parte da relação com Cláudio, o irmão do meio de uma família do interior de São Paulo. Os dois se aproximaram ao longo da vida, e Cláudio se tornou um dos seus principais esteios afetivos, psicológicos, políticos e financeiros. Em 1992, Trevisan descobriu que vivia com HIV, num período em que o diagnóstico ainda era associado à morte. Quatro anos depois, foi Cláudio quem morreu, vítima de um câncer linfático.

A experiência atravessa o livro, que combina a história familiar às relações amorosas e à trajetória intelectual do escritor, tendo como pano de fundo as lutas da comunidade LGBTQIA+ nos anos 1990, as suas conquistas e o pânico provocado pela epidemia de Aids.

“É muito consolador ter Meu irmão, eu mesmo lido e discutido no Clube de Leitura do CCBB. Além de homenagear meu irmão Cláudio, a quem devo parte da minha vida, será uma ótima ocasião para debater questões como exílio, modelos de amor dissidente e o sentido da infecção pelo vírus HIV. Pairando sobre tudo isso, o grande tema que nos assombra: como abraçar a nossa dor e dar à vida uma conotação óbvia que sempre esquecemos. Ou seja, nossa vida é única e efêmera, portanto, preciosa. Falaremos da preciosidade de sobreviver e resistir contra a corrente”, antecipa Trevisan, no release à imprensa.

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Com o tema “Gêneros e Literatura”, o encontro terá mediação da escritora e curadora Suzana Vargas e do poeta Ramon Nunes Mello. A conversa propõe também olhar para as transformações ocorridas nas últimas décadas na maneira como a sociedade brasileira discute gênero, sexualidade e identidade, questões que atravessam a produção de Trevisan há mais de cinco décadas.

Nascido em Ribeirão Bonito (SP), em 1944, João Silvério Trevisan é escritor, dramaturgo, jornalista, diretor e roteirista de cinema. Na década de 1970, teve seu primeiro e único longa-metragem, Orgia ou o homem que deu cria (1971), censurado pela ditadura militar (1964-1985) e, posteriormente, viveu no exílio. De volta ao Brasil, participou, em 1978, da fundação do jornal Lampião da Esquina e do Grupo Somos, marcos da organização e da visibilidade da população LGBTQIA+ no país.

Autor do clássico Devassos no paraíso, ensaio sobre a história da homossexualidade no Brasil, Trevisan venceu três vezes os prêmios Jabuti e APCA. Pai, Pai foi finalista do Jabuti e do Oceanos em 2018, e Meu irmão, eu mesmo, dos dois prêmios em 2024. Em 2023, o escritor recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

A participação no Clube de Leitura ocorre às vésperas da chegada de mais um título à sua obra. Trevisan lançará O que não se pode apagar, pela Planeta, durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada de 4 a 13 de setembro no Distrito Anhembi.

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Monica Ramalho

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