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O Japão pós-guerra pelos olhos de Kazuo Ishiguro

05 de junho de 2018
1 min de leitura
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Em 'Um artista do mundo flutuante, Prêmio Nobel de Literatura de 2017 fala sobre história, velhice, culpa e a passagem do tempo

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Masuji Ono, protagonista e narrador de Um artista do mundo flutuante (Companhia das Letras, 230 pp, R$ 49,90), de Kazuo Ishiguro, é um homem de seu tempo. Pintor de grande renome do Japão antes e durante a Segunda Guerra Mundial, ainda jovem Masuji desafiou o pai para seguir a vocação artística e, durante seu desenvolvimento criativo, lutou contra as amarras da arte tradicional japonesa para dar lugar a uma produção propagandística a serviço de seu país. Ambientado nos anos imediatamente após a rendição, o romance descortina a vida de Masuji já aposentado, procurando entender as mudanças vividas pelo país e impressas na mentalidade da geração mais jovem, da qual fazem parte suas duas filhas. Ao procurar entender por que as negociações para o casamento da mais nova delas foram abruptamente interrompidas, o protagonista se vê levado a rememorar sua vida de artista e professor respeitado e a enfrentar a consequência dos próprios atos no destino de seus descendentes. Retrato comovente de um momento histórico cujos desdobramentos se veem até os dias de hoje, o livro é também um poderoso romance sobre a velhice, a culpa e a passagem do tempo. 

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Talita Facchini

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