Nos 115 anos do nascimento de Drummond, inéditos mostram como ele lidava com a morte
Em manuscritos, poeta tratava de doenças, percalços, perdas de parentes e amigos
No início do ano, vasculhando pela enésima vez o baú sem fundo do avô, o artista plástico Pedro Augusto Graña Drummond reencontrou manuscritos que o poeta havia arrancado de seus diários. Eram páginas em que tratava de doenças, percalços, mortes de parentes e amigos, como Manuel Bandeira. Talvez não pretendesse publicá-las. Mas a verdade é que tampouco as descartou, como fez com tantas e tantas páginas. E, como o que ele escrevia não é de se jogar fora, a papelada vai virar livro. Os novos inéditos de Carlos Drummond de Andrade chegam ao mercado em meados de novembro. E são um curioso contraponto à comemoração dos 115 anos de nascimento do poeta, na próxima terça-feira, que será marcada por uma série de eventos em Minas e no Rio. A nova obra, afinal, batizada de Uma forma de saudade, é uma espécie de poesia sobre o fim da vida — mas sem sentimentalidades, lamúrias ou morbidez. Encontra-se até mesmo, aqui e ali, um toque de humor (bem discreto, como a situação costuma exigir), além de observações breves e certeiras. Coisas de Drummond.
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