Salman Rushdie afirma: ‘Não quero continuar sendo o escritor da fatwa’
Rushdie reivindica que sua obra não seja julgada pela condenação à morte emitida em 1989 pelo aiatolá Khomeini
O escritor britânico Salman Rushdie reivindicou numa
entrevista seu direito a deixar de ser conhecido como o “escritor da fatwa”,
para que não se julgue sua obra por essa condenação à morte decretada em 1989. “Vivo
tranquilamente em Nova York desde 2000 e não me aconteceu nada, exceto que as
pessoas continuam vendo meu trabalho através do prisma da fatwa”, disse Rushdie
ao semanário francês Les Inrockuptibles, reclamando “o direito de ser apenas um
escritor”. Em fevereiro de 1989, o então líder espiritual do Irã, aiatolá
Khomeini, já falecido, emitiu um edito religioso (fatwa) no qual instava todos
os muçulmanos a matar Rushdie após qualificar de blasfêmia seu livro
Os versos satânicos. O escritor teve de
permanecer oculto até que em 1998 o governo do Irã retirou seu apoio à fatwa.
Mas ano a ano, segundo Rushdie, há gente que sobe o prêmio por sua cabeça. Em
fevereiro, vários meios estatais de comunicação iranianos elevaram a oferta
para US$ 600 mil em dinheiro.
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