Virginia Woolf usa a música como guia essencial de sua escrita e existência
Autora qualifica como divina a chama de um velho tocando violino numa rua de Londres, em ‘O valor do riso
São 31 textos curtos. A maior parte de crítica literária. Algumas minibiografias a propósito de efemérides de figuras reais, várias femininas, protótipos de sua obra-prima Orlando. Crônicas irresistíveis, sobre uma mariposa ou a crítica, e até um hilário tratado sobre o riso. Versátil, Virginia Woolf ganhou seu pão diário escrevendo para a imprensa inglesa. O valor do riso é o maravilhoso ateliê no qual experimenta as mais variadas receitas de escrita. E, o melhor para os musicomaníacos, deixa escapar que a música é um dos principais vetores de sua criação artística. Em 1901, aos 19 anos, afirma que a única coisa que vale a pena neste mundo “é música – música e livros, e um ou dois quadros”. Aos 58, confessa: “Penso sempre em meus livros como música antes de escrevê-los”. Adorava Mozart, Beethoven e Schubert. Fez do ritmo o núcleo gerador de sua arte, na expressão do crítico de arte e pintor Roger Fry. Ou, como aponta o tradutor Leonardo Fróes em seu excelente texto introdutório, “o uso exaustivo do ponto e vírgula; a repetição ocasional de palavras ou frases; perguntas frequentes ao leitor ou à própria reflexão de quem escreve; e o meticuloso emprego de travessões enfáticos são alguns traços marcantes” de sua prosa.
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