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Um mês após atentado contra Charlie Hebdo, cartunistas na França avaliam impacto da tragédia

07 de fevereiro de 2015
2 min de leitura

Cartunistas franceses comentam a repercussão da tragédia provocada por fundamentalistas

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Assim que soube dos ataques à sede do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, o desenhista francês Julien Couty largou o lápis. “Senti uma tristeza profunda, mas não foi o medo e sim o choque que me impediu de trabalhar”, lembra Couty, cartunista da Télérama, tradicional revista de cultura francesa. Couty é um dos muitos cartunistas do país que, um mês após os atentados, ainda tentam medir o impacto da tragédia sobre sua profissão. Os eventos de janeiro provocaram mobilização, mas também dúvidas. De uma hora para outra, o desenho de imprensa se viu no centro do debate sobre liberdade de expressão na França, causando não apenas surpresa, mas também aborrecimento para muitos profissionais. Paralelamente à comoção nacional, que levou milhões de pessoas às ruas e transformou o slogan “Je suis Charlie” em símbolo da liberdade, a classe como um todo tenta entender seu novo papel. Para Aurel, desenhista do Le Monde, a tristeza pela perda dos amigos veio acompanhada de questionamentos. Ele não gostou, por exemplo, de ver desenhistas serem retratados pela mídia como “arautos da liberdade de expressão”. “Nunca o fomos e não pretendemos sê-lo hoje mais do que antes. A liberdade de expressão é um assunto de todos os cidadãos”, disse Aurel.

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