Editoras e artistas vêm se dedicando à produção exclusiva de edições artísticas
Ikrek Edições e Cosac Naify estão entre as empresas que se dedicam ao gênero
“Sempre penso o livro como espaço poético, um campo de pouso das palavras e das imagens”, diz Edith Derdyk. De seu ateliê em São Paulo seria redundante destacar as estantes e a grande mesa, mas são ambas que abrigam não apenas os 33 livros de artista que ela já realizou desde 1981 – 98% deles, do próprio bolso. Edith ainda sonha com o momento em que será possível acontecer no Brasil o que experimentou certa vez em Londres: encontrar em uma livraria, por apenas US$ 30, e ao mesmo tempo em um museu, uma “obra seminal” como a dos ingleses. “Para a gente, o livro é a maneira mais fácil de se chegar a um artista”, diz o arquiteto Pedro Vieira, que fundou com o irmão Luiz, a Ikrek Edições, dedicada exclusivamente à produção de livros de artistas. A primeira experiência da Ikrek foi a realização de Partitura, cara e sofisticada edição de apenas 15 exemplares (avaliados em “alguns milhares de reais”) criadas pela desenhista, gravadora e escultora Sandra Cinto. Já a série Ponto e Vírgula, outro segmento produzido pela editora, reúne obras de Jac Leirner, Lenora de Barros, Rafael RG e Fabio Morais. Dentro dessa proposta mais acessível, cada livro, peça artística exclusiva, sai com tiragem de 300 cópias a serem vendidas por R$ 50 a unidade. Segundo o editor Charles Cosac, diretor da Cosac Naify, os compradores do gênero dos “livros-coisa” são colecionadores de arte.
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