A explosão de eventos literários no Brasil: em 2015, serão mais de 300
Autores apostam que feiras de livros já substituem as bibliotecas no papel do estímulo à leitura
É uma contradição curiosa: num país onde a média de leitura é de apenas dois livros inteiros por ano (segundo a última pesquisa “Retratos da leitura no Brasil”, do Instituto Pró-Livro, de 2012), o número de feiras, festas, salões de leitura, bienais, jornadas e festivais aumenta ano a ano. A última aferição do MinC listava 257 eventos em 2013 — mais da metade (137) na Região Sul. Em 2014, foram pelo menos 320, de acordo com levantamento feito pelo jornal O Globo. A partir do mês que vem, quando começa a temporada de 2015, a previsão é que o número de eventos supere o do ano passado, apostam curadores e especialistas. “Acho que nos últimos cinco anos estive em cerca de 50 ou 60 eventos”, conta o escritor gaúcho Carlos Schroder. Muita gente atribui o sucesso desse tipo de evento ao exemplo bem-sucedido da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que caminha para sua 13ª edição. Idealizador e curador do Festival Literário de Araxá, o Fliaraxá, em Minas Gerais, o jornalista e escritor Afonso Borges acredita que as feiras literárias só se tornaram tão profícuas nos últimos anos por causa de uma alteração recente na Lei Rouanet. “Desde que houve essa alteração na Lei Rouanet, no fim da gestão da Ana de Hollanda, as feiras, festivais e afins, que eram enquadrados no artigo 26, passaram a ser enquadrados no artigo 18, ou seja, tornaram-se 100% dedutivos. Por isso, passaram a ser um investimento tão interessante para as empresas”, argumenta Afonso. Vale lembrar que, desde 2006, o BNDES já destinou mais de R$ 1,2 bilhão para financiar 26 projetos do mercado editorial —, e as festas literárias abocanharam boa parte dos recursos.
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