‘Hóspede por uma noite’ fala de um mundo à beira do abismo
Livro é um texto profético do Nobel de Literatura Sch. I. Agnon
Num mundo dominado por um cínico laicismo e pela uniformização cultural, uma voz lúcida como a do escritor Sch. I. Agnon (1887-1970), premiado com o Nobel em 1966, talvez pareça um tanto dissonante, mas é extremamente oportuna a tradução de seu romance Hóspede por uma noite (Perspectiva, 569 pp., R$ 70), publicado em 1939, às vésperas da Segunda Guerra. Três anos antes de ser implementada pelos nazistas a “solução final”, determinando o extermínio dos judeus, Agon, como um profeta, antecipou os horrores desse mundo esfacelado e regido por bárbaros. E fez isso sem secularizar sua linguagem, profundamente embebida de simbolismo religioso, apesar do vínculo estreito com a modernidade literária – laica, evoque-se – que levou críticos a comparar seus livros aos de Kafka e Joyce.
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