A missão da jovem Eleanor Catton
Para a vencedora do Man Booker Prize, os livros transformam as pessoas
A neozelandesa Eleanor Catton passaria facilmente por uma estudante universitária de uma cidade média brasileira. Loira, delicada, grandes olhos azuis e um sorriso permanente no rosto, vestindo saia e tênis, maneiras modestas e voz suave. “Acredito que a literatura pode transformar o ser humano”, diz. “Os livros podem melhorar as pessoas e o mundo.” Em entrevista concedida durante a Flip, Eleanor discorre sobre a missão do escritor imbuída de ideais que podem soar ingênuos entre um meio literário cada vez mais mercantilizado, em que livros se transformaram em produtos e o antes sagrado ato de escrever, um serviço de alta produtividade. Mas essa jovem de 28 anos despretensiosa e distante das vaidades do mercado literário venceu no ano passado o prêmio mais importante da literatura dos países de língua inglesa, o Man Booker Prize pelo romance Os luminares ( Biblioteca Azul, 888 pp., R$ 69,90 – Trad.: Fábio Bonillo). “Ganhar o Booker foi uma surpresa, mas vejo o prêmio como um chamado à responsabilidade”, afirma.
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