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Leitura de avião

24 de junho de 2014
3 min de leitura
Gustavo_colunista

Leitura de avião

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De férias forçadas por conta da Copa, colho material para o artigo no avião. A opção, para mim inédita, de e-reader nos aplicativos oferecidos aos passageiros pelas companhias aéreas, em voo, causou surpresa e curiosidade.

Ao invés do carrinho de revistas trazido pela aeromoça, a opção de leitura eletrônica das revistas e dos periódicos recentes na telinha do encosto da poltrona é enorme, e de relativamente fácil manuseio.

Além dessa comodidade, a reflexão intuitiva diz respeito à leitura cotidiana. O livro eletrônico deixa de ser novidade, vai aos poucos se disseminando e as várias gerações, cada uma ao seu modo, vão assimilando o novo modus legendi.

Mas e os jornais e revistas, que lemos de graça pela internet? Eles, de modo geral, ainda estão no prazo de carência da história dos periódicos publicados – isto é, tornados públicos – mas a pressão para a cobrança pelo fornecimento desse conteúdo é inevitável.

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Os jornalistas são os mesmos, as máquinas fotográficas por eles utilizadas, as pesquisas contratadas, os salários, etc. Nessa fase de transição, o custo é estável; embora se reduza a despesa com o papel, diminui a receita de venda.

Fica a dúvida quanto a publicidade e classificados. Parte significativa da receita dos jornais decorre da venda de anúncios de imóveis e veículos. Como localizar aqueles quadradinhos na tela do computador ou celular? Talvez a saída seja a busca nominal, ou por imagens.

O fato é que o aumento dos meios eletrônicos de leitura, e me refiro particularmente a dos periódicos, faz com que o conteúdo se dissemine com maior rapidez, principalmente em camadas sociais ainda não acostumadas ao livro eletrônico. Obviamente continua a regra de proteção das obras artísticas literárias e científicas, tanto do que será veiculado pelas revistas quanto a própria criação.

O fato é que a disponibilidade de revistas e periódicos em e-readers no avião me parece grande passo para a disseminação do meio de leitura em camadas ainda não atingidas pelo novo hábito.

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Gustavo Martins de Almeida
Gustavo Martins de Almeida

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem pós-doutorado pela USP. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editore...

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