Silviano Santiago experimenta com gênero biográfico para falar de perda
Em ‘Mil rosas roubadas’, crítico literário e ficcionista narra a história do produtor Ezequiel Neves, morto em 2010, de quem foi íntimo
Aos 16 anos, dois desconhecidos se encontram enquanto esperam um bonde em Belo Horizonte. Começa ali uma relação — de amizade e amor — que vai durar até a morte de um deles. Os dois jovens são o crítico literário e ficcionista Silviano Santiago, 77 anos, e o produtor musical Ezequiel Neves, o Zeca, morto em 2010, aos 74. A experiência da viuvez levou Silviano a escrever Mil rosas roubadas (Companhia das Letras), romance que explora os limites do gênero biográfico ao narrar a história de Zeca e que trata, ao mesmo tempo, da dificuldade de sobreviver à morte de alguém querido. Zeca, um dos responsáveis por revelar Cazuza, era um personagem que Silviano conheceu muito bem. Por isso, afirma, era difícil biografá-lo. Foi esse o motivo de ter escolhido o romance como gênero para fazê-lo, por permitir mais liberdade.
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