As vozes da barbárie durante a Segunda Guerra Mundial
Livro revela como agiam os soldados do Reich durante o conflito que durou entre 1939 e 1945
Eu mesmo voei para o sul da Inglaterra. De hora em hora saía uma esquadrilha para lá, isso em 1943; tínhamos ordem de atirar em tudo, só não podíamos atirar em nada militar. Aí disparávamos contra mulheres e crianças em carrinhos de bebê”. A declaração do primeiro-tenente Hans Hartings, do Esquadrão de Caças 26 da Luftwaffe, a Força Aérea Alemã, assusta pela franqueza com que o militar fala de seus ataques contra civis durante a Segunda Guerra Mundial. Ao contrário da maioria dos depoimentos de combatentes recolhidos, a afirmação não foi feita durante um interrogatório ou uma entrevista. Hartings foi gravado sem saber enquanto conversava com outros prisioneiros alemães sob custódia britânica. O depoimento é apenas um entre dezenas reproduzidos nas páginas de Soldados — Sobre lutar, matar e morrer (Companhia das Letras, 488 pp., R$ 59), da historiadora Sönke Neitzel e do psicólogo Harald Welzer, que acaba de ser lançado no Brasil.
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