Caso de roubo de livros mostra relação entre cultura e política na Itália
O ex-senador Marcello Dell’Utri foi pego em um dos maiores escândalos no universo literário da história
Por anos os livros continuavam chegando. Uma preciosa edição de Thomas More. Volumes da renascença italiana com capa de couro. Títulos roubados da biblioteca barroca Girolamini, em Nápoles, dados como presente para um influente conselheiro do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Agora esse consigliere, Marcello Dell’Utri, um ex-senador, foi pego num dos maiores escândalos de roubos de livros da história. Numa rara entrevista, Dell’Utri diz que devolveu todos os livros, menos um, assim que soube que eram roubados. Ele também busca se distanciar da figura central do caso, Marino Massimo De Caro, ex-diretor da biblioteca, atualmente sendo julgado em Nápoles sob a acusação de ser o responsável pelo esquema. Ainda assim, Dell’Utri admite que recebeu livros de De Caro por anos e ajudou na carreira do diretor. Mas a indicação de De Caro, um bibliotecário sem formação universitária, para uma das bibliotecas mais importantes do país, não teria sido possível sem o apoio de Dell’Utri. A relação entre os dois mostra como política e cultura andam juntas na Itália.
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