Festival exibe filme proibido de mostrar figura de Guimarães Rosa
Diretor Silvio Tendler substitui imagens do escritor por mancha branca e diz que Brasil sofre de ‘Alzheimer cultural’
Quem assistir ao novo documentário do diretor Silvio Tendler, “Sujeito oculto — Na rota do grande sertão”, sobre a lendária viagem de Guimarães Rosa com vaqueiros pelo sertão de Minas Gerais, em 1952, vai sentir falta da imagem do protagonista. Nas fotos dos vaqueiros com a boiada, uma mancha branca aparece no lugar do escritor de Grande sertão: veredas. É um protesto, diz o diretor, por ter sido proibido, pelas herdeiras de Guimarães Rosa, de usar as imagens do escritor. “O mote do filme é o Alzheimer social, cultural e econômico que o país está vivendo, com a destruição de culturas tradicionais, como acontece no sertão de Guimarães Rosa. O problema das biografias também entra na questão do apagamento da memória. Não poder contar a história de uma pessoa é um Alzheimer cultural. O Brasil está perdendo as histórias dos seus melhores filhos”, diz Silvio Tendler.
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