Cartas de Alceu Amoroso Lima retratam terror do AI-5
Livro reúne correspondência com filha
Rio, 24 de janeiro de 1969: “O que se vê é o mais cínico materialismo reacionário e capitalista. Só pensam em termos de Riqueza. A liberdade que lhes importa é apenas a dos Bons Negócios. E ainda criticam o marxismo por desdenhar dos ‘valores espirituais’!!! Fico tão enjoado de tanta desfaçatez e tão revoltado de não poder falar, ou pelo menos, escrever a respeito. Pois falar, falo, e até demais!”. As palavras são de Alceu Amoroso Lima em carta para a filha Madre Maria Teresa. A ditadura baixara o AI-5 havia pouco mais de um mês. O escritor e líder católico desabafava: os militares que haviam tomado o poder eram “salteadores” e “patetas” que faziam parte de uma “quadrilha”. A correspondência com a filha está reunida em Diário de um Ano de Trevas (IMS, 294 pp., R$ 49,90), volume organizado por Frei Betto e Alceu Amoroso Lima Filho e editado pelo Instituto Moreira Salles. As cartas, redigidas entre janeiro de 1969 e fevereiro de 1970, tratam de política, de religião, de literatura. Expõem impressões sobre o noticiário e o cotidiano.
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