A pedra fundamental
Há cem anos, nascia a catedral de Proust
No próximo dia 14, será o centenário da chegada às livrarias parisienses de Do Lado de Swann, o primeiro dos sete tomos de À procura do tempo perdido, de Marcel Proust, que ganha nova tradução para o português, a sair pela Penguin/Companhia das Letras em 2014. Nesta data, multidões não sairão às ruas para, mascaradas com o bigodinho do romancista, fazer vigília no Ritz, onde ele pedia um frango inteiro, cerveja e inúmeras xícaras de café quando escrevia o seu livro. Apenas alguns, em Londres, no Cairo, em Tóquio ou numa padaria nas Perdizes, brindarão à memória do grande artista. Foi ele quem aclarou as intermitências do coração, a mecânica dupla da memória, a força paralisante do hábito, a engrenagem da sociedade cujo fluido é medo e engano, a matéria dúctil do tempo que se perde e é dado aos seus leitores reencontrar.
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