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O caso da casa de farinha

09 de setembro de 2013
2 min de leitura

O poeta Armando Freitas Filho fala de como os manuscritos revelam o processo criativo do autor de Morte e Vida Severina

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João Cabral falava que, quando morresse, só o que estivesse publicado valeria. O resto, não. Mas num belo dia, em meados dos anos 1980, entregou a sua filha Inez um pequeno fichário escolar, de capa castigada, dizendo-lhe que não tinha conseguido terminar e que ela fizesse algo com as anotações. Era o planejamento manuscrito, passo a passo, de um longo poema que vinha ruminando desde 1966, da estirpe, da garra, poética e social, de “O Cão sem Plumas”, “O Rio”, “Morte e Vida Severina”, “Dois Parlamentos”, “Poema(s) da Cabra” e “Auto do Frade”, para só ficar com os mais conhecidos. A “Casa de Farinha”, agora, abre as folhas de suas portas graças à transcrição cuidadosa e competente de Inez, mostrando os bastidores da criação, não só do texto mas do pensamento do poeta. A sensação é a de ler os originais, por cima do ombro da filha, assim como ela os vê por cima do ombro do pai e acaba por pegá-lo pela mão, trazendo-o inédito, novo em folha, em plena faina e forma, até nós, leitores. Notas sobre uma Possível ‘A Casa de Farinha’, volume fac-similar a sair em outubro (Alfaguara), reúne estudos para um poema deixados por João Cabral de Melo Neto (1920-99) ao morrer. 

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