Benjamin Abrahão, o homem que iludiu o sertão
Novo livro do historiador recifense Frederico Pernambucano de Mello revela a trajetória do imigrante sírio que foi secretário de padre Cícero e fotógrafo de Lampião
O sírio Benjamin Abrahão fugiu do alistamento militar obrigatório em seu país porque temia ser convocado para a Primeira Guerra Mundial. Aqui, partilhou do cotidiano de dois mitos que para os sertanejos encarnam o céu e o inferno, Deus e o diabo em terra de sol. Foi secretário particular de Padre Cícero, que até hoje atrai milhares de romeiros a Juazeiro do Norte, no interior do Ceará. E virou homem de confiança e único fotógrafo autorizado de Virgulino Ferreira, o Lampião. Embrenhou-se na caatinga com ele e seu bando de cangaceiros e documentou sua vida em fotos e num filme, que foi censurado pelo Estado Novo às vésperas de estrear nos cinemas nacionais. A trajetória completa desse personagem singular surge pela primeira vez na biografia Benjamim Abrahão — Entre anjos e cangaceiros (Escrituras, 352 pp., R$ 45), do historiador Frederico Pernambucano de Mello. […] A trajetória de Abrahão é contextualizada no turbulento momento histórico, marcado por fatos como a passagem da Coluna Prestes pelo Nordeste (entre 1925 e 1926), as ações do governo e dos rebeldes, o poder dos coronéis da caatinga, os movimentos messiânicos, a Revolução de 1930, a verticalização do poder politico no país.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta



